Diz-se que quando tudo começou, o Planeta Terra era um amontoado de territórios, os continentes, todos juntos, eram uma só coisa, que se chamava Pangeia. Essa junção de continentes é a inspiração para o conceito de um ateliê que vive e pulsa arte no Bairro do Recife, praticamente o nascedouro da cidade. O nome do espaço é Pangeia e lá a palavra-chave é “agregar”.

O Pangeia fica no 4º andar do edifício de número 328 na Rua Mariz e Barros. A sala enorme é ocupada pelos artistas Aslan Cabral e Paula Boechat e pelo Vacilante, coletivo formado por Luciano Matos, Alexandre Pons e Heitor Pontes. Vindos de outros espaços em que trabalhavam anteriormente, resolveram se unir e dar vida ao ateliê.

(Foto: arquivo pessoal)

O lugar foi um achado. Depois de uma longa procura, eles foram fisgados pela importância histórica e afetiva de ocuparem um espaço localizado no Bairro do Recife. “Eu acho muito importante estarmos aqui no Recife Antigo, que é onde a cidade nasceu. Isso tem uma simbologia muito forte”, diz Aslan.

A sala que, a princípio, não tinha absolutamente nada, era um imenso vazio, se transformou completamente pelas mãos dos artistas. “A gente começou a trazer tudo para cá, um monte de coisas. Já chegamos pintando tudo, os meninos subiram nas paredes, com spray, e fomos dando a nossa cara”, conta Aslan.

(Foto: Leonardo Vila Nova/PorAqui)

Quem chega no Pangeia não consegue sair imune à exuberância multicolorida que é o lugar. Instalações, pinturas, obras por todos os lados. Referências como a La Ursa e a Hello Kitty dividem o mesmo espaço. Manequins, tubarões, imagens de santo envoltas por um cenário de street art, fragmentos de imagens coladas e sobrepostas. É um mosaico, aparentemente caótico, de revelações imagéticas a todo instante.

(Foto: Leonardo Vila Nova/PorAqui)

Porém, Pangeia não é apenas um ateliê. É um espaço aberto às mais diversas possibilidades de expressão da arte. Para isso, outras atividades também são (e podem ser) desenvolvidas lá: instalações, cursos, performances e até mesmo festas. “Desde que chegamos aqui que a gente sempre quis fazer desse lugar um espaço dinâmico, agregador, um lugar vivo”.

(Foto: Leonardo Vila Nova/PorAqui)

“Além disso, a gente sempre faz um ateliê aberto, um domingo por mês, para quem quiser chegar, produzir algo”, diz Aslan. Segundo ele, a ideia é agregar ainda mais pessoas. “A gente sabe que é um privilégio ter um espaço desse e, por isso, queremos expandir esse privilégio para a cidade”, fala.

O Pangeia completou pouco mais de um ano de existência. E, agora, com esse processo de consolidação do espaço, é hora de expandir. “Estamos começando a receber várias ideias e propostas de novas realizações”, revela.

Aulas de lira

Uma das atividades que se agregou ao Pangeia são as aulas de lira ministradas por Amanda Baptista. Todos os domingos, a partir das 15h, ela se reúne com seu grupo de alunas (eventualmente, alguns raros homens aparecem na turma) para repassar o conhecimento que adquiriu há dois anos.

A lira é uma circunferência de ferro, idêntica a um bambolê. Nela, são realizadas acrobacias. “É como uma dança no ar”, explica Amanda. “Nós aproveitamos a movimentação do círculo no ar e vamos tentando acompanhar com os nossos movimentos”.

(Foto: Arquivo pessoal)

Antes, são feitos alongamentos e exercícios de respiração e yoga para deixar o corpo preparado. Na hora da prática, quando alguém está na lira, exercitando os movimentos, outras pessoas ficam embaixo, atentas, para garantir a segurança. “A gente cria uns círculos de confiança e segurança na hora da prática. Por isso, precisamos ter um entrosamento e conexão com a outra pessoa”, diz ela.

As aulas de lira com Amanda Baptista custam R$ 100 mensais por pessoa.

Artistas do Pangeia

Vacilante – Grupo com formação em design e publicidade. Artisticamente, se dedicam a uma pintura bem forte e carregada de elementos urbanos acumulados em camadas onde erros e acertos viram vibração.

Paula Boechat – Estudou artes visuais no Parque Lage, Paris e EUA. Suas pinturas em tinta a óleo, carvão, acrílica são imagens abstratas coloridas. Paula também experimenta ações em performance e instalação, tendo se apresentado em instituições como Centro Cultural Banco do Brasil, Bienal de Liverpool e de Bogotá.

Aslan Cabral – É formado em relações públicas e se considera em constante formação. Participou de cursos livres e residências no Brasil e exterior. Sua conexão com os parceiros da Pangeia se dá através da pintura, mas a performance também é algo muito presente na sua trajetória, onde arte e obra se misturam com sua vida e papel social.