A instalação de um parklet em frente ao Bar Central, na Rua Mamede Simões, bairro da Boa Vista, gerou mais uma das (quase) infindáveis polêmicas recifenses nas redes sociais, na última segunda (30). Opiniões contra e a favor, sob as mais variadas perspectivas, se estenderam ao longo de centenas de comentários. Mas, afinal, o que é um parklet? Para que (e para quem) serve?

Não é a primeira vez que a gente fala de parklet PorAqui. Em julho deste ano, a reabertura de um parklet na Rua do Futuro, bairro da Jaqueira, também foi notícia.

Parklet da Jaqueira é reaberto ao público

Em resumo, o parklet é uma estrutura que funciona como uma extensão da calçada, ocupando vagas de estacionamentos de carros, e que se destina a ser um espaço público de convivência e lazer entre as pessoas.

Em 2015, a Prefeitura do Recife publicou o decreto 28.886/2015, que regulamenta e disciplina a instalação de parklets. “Desde que saiu esse decreto, pensamos em instalar um parklet aqui na frente do Central”, diz André Rosemberg, gerente do estabelecimento, que já havia substituído vagas de estacionamento do local por um bicicletário.

(Foto: André Rosemberg/colaboração)

Os parklets podem ter bancos, mesas, cadeiras, guarda-sóis, plantas e diversos outros elementos voltados para a saúde, lazer e, até mesmo, manifestações artísticas. A principal finalidade dele é ser um espaço totalmente voltado para usufruto das pessoas.

“O parklet é a transição para uma cidade com menos carros”, diz o urbanista Pedro Guedes, “uma vez que naquele espaço são priorizadas as pessoas, no lugar de um ou dois carros ficarem parados o dia inteiro”. Segundo ele, algumas cidades do país já possuem parklets, sendo São Paulo a que mais investe nessa estrutura.

Instalação e estrutura

De acordo com o decreto municipal, a instalação de um parklet pode ser solicitada por qualquer pessoa jurídica de direito público ou privado, ou por pessoa física. Caberá à prefeitura a sua autorização.

O solicitante, por sua vez, deve obedecer alguns critérios técnicos (dimensões, utilidade, etc) para ter autorizada a instalação do parklet. Assim como caberá a ele, também, a sua manutenção.

Outro ponto importante é que o parklet deve ser público, não sendo permitida a obtenção de retorno financeiro pelo seu uso. “Qualquer pessoa pode usar o parklet que montamos aqui, mesmo que não consuma no nosso bar. O parklet é para todos”, garante Rosemberg.

(Foto: André Rosemberg/colaboração)

As grades em volta fazem parte das exigências para sua instalação. “Serve não só para a segurança das pessoas, mas também para que elas possam se encostar”, explica Pedro Guedes.

O parklet instalado em frente ao Central possui 2m x 10m de dimensão e ainda está em fase de ajustes. O que ainda está pendente será providenciado até o final da semana, informa Rosemberg. “Nós também vamos colocar plantas nele, como jaboticabas, jasmins”, diz.

História

Em 2005, surgiu o primeiro parklet, instalado em São Francisco (E.U.A.). A ideia surgiu no Parking Day, movimento que estimulava a transformação das vagas de carros em pequenos parques públicos temporários. A proposta era fazer as pessoas repensarem a forma de ocupação dos espaços públicos.

Sob o conceito e de “PARK(ing) space” – trocadilho entre parking (estacionamento) e park (praça) – nasceu a ideia inicial do parklet.

No Brasil, a ideia chegou em 2013, por uma iniciativa do Instituto Mobilidade, mas a instalação efetiva do primeiro parklet no país só ocorreu em 2012, em São Paulo (SP).

Hoje, se encontram em várias cidades. Além do Recife, há parklets nas cidades de Campo Grande, Fortaleza, Belo Horizonte, Curitiba, Goiânia, Rio Branco, Sorocaba e Porto Alegre (Fonte: www.coletivoverde.com.br).