A imagem já é “quase” tão comum que nem chama mais tanto a atenção. Ainda assim, na última sexta (22), um grupo de curiosos resolveu conhecer e experimentar o óculos de realidade virtual que André Fox oferecia para os transeuntes da rua do Observatório, em frente ao Apolo 235, novo prédio do Porto Digital no Bairro do Recife.

Ao vestir os óculos, os curiosos puderam vislumbrar o projeto de um pavilhão de dança itinerante e desmontável, desenvolvido pela arquiteta Maria Eduarda, uma das alunas do curso de criação em Realidade Virtual ministrado por André. Após três semanas de formação e teoria, os 17 alunos, em sua maioria estudantes de arquitetura, apresentaram seus projetos em realidade virtual.

“Costumo explicar que para desenvolvermos nessa tecnologia imersiva são necessárias três frentes de trabalho: os desenvolvedores de hardware, que trabalham na produção dos equipamentos a serem utilizados, como os óculos propriamente ditos, os desenvolvedores de software, que criam as plataformas, os programas e aplicativos utilizados para criar e exibir os produtos e, por fim, a criação, os conteúdos e projetos de realidade virtual imersiva, em 360 graus.

O professor de dança para terceira idade e vendedor de picolé Fernando Vistozo, 42 anos, foi um dos que experienciou a realidade virtual pela primeira vez. “Já tinha visto na televisão e imaginava como era, mas usar o óculos é totalmente diferente, é como se a gente entrasse mesmo em outro mundo”, comentou. “Sem contar que um palco desses, pra incentivar a dança, seria algo muito legal de termos aqui, de verdade, né?”.

Os estudantes João Vitor e Jadson, ambos com 10 anos, fizeram jus à curiosidade típica da idade e também fizeram questão de usar os óculos e aprovaram a tecnologia e os níveis de detalhes do projeto.

– Mas vocês pretendem trabalhar com tecnologia quando crescer?
– Oxe, a gente já trabalha! – comentou João Victor – a gente tem aula de robótica e já criamos um robô lutador para competir.

Hackathon de realidade virtual

Estão abertas, até a próxima terça (3), as inscrições para o primeiro hackathon voltado especificamente para a realidade virtual, promovido pelo Laboratório de Objetos Urbanos Conectados do Porto Digital, o L.O.U.Co, em parceria com a multinacional de tecnologia, a Qualcomm.

“Vamos passar desafios para as equipes, formadas tanto por desenvolvedores como por profissionais de perfil criativo, e nossa expectativa é que seja desenvolvido, num único fim de semana de trabalho intenso, um novo produto ou solução tendo a realidade virtual como base tecnológica”, explica Tarci Andrade, coordenadora do laboratório.

Os interessados na maratona de desenvolvimento devem preencher o formulário para se cadastrar no processo seletivo – as vagas para o hackathon são limitadas e distribuídas a partir do perfil dos participantes, para que haja um equilíbrio entre os programadores e designers/arquitetos. Este já é o terceiro hackathon promovido pelo laboratório e, assim como os demais, as questões urbanas estarão presentes como plano de fundo.