Na programação de conversas promovidas pelo Porto Musical 2018, que acontece até este sábado (3), uma delas, no bloco Contraponto, tratou de um assunto muito presente na vida cultural de qualquer cidade: as dificuldades enfrentadas pelas pequenas casas de shows de se manterem frente os diversos contextos adversos.

A roda de diálogo “O Gigante Mundo das Pequenas Casas” aconteceu na manhã desta sexta (1º), no Paço do Frevo, Bairro do Recife, reunindo donos, donas, gerentes e administradores de espaços importantes para manter viva a cena independente do estado, em especial, do Recife e de Olinda.

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Sob mediação de Leo Antunes, participaram do encontro Evando Sena (Iraq), Guida Gomes (Casa Astral), Pedro Escobar (Edf. Texas), Junior do Jarro (Solar da Marquesa), Fernanda Batista (Terra Café), Alexandre Ramos (Rouge) e Claudia Balladelli (Mercury Lounge).

“É um tema que implica diretamente não só na vida cultural da cidade, mas também na economia. Sobre como as casas podem se manter, se por meio da bilheteria, se pela venda de bebidas. Mas a importância dessa conversa está em entender como essas casas podem se manter, trazendo artistas e continuar movimentando a cena cultural”, diz Leo Antunes.

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A unanimidade entre os participantes é que os principais entraves para a existência e sustentabilidade dessas casas reside nas intrincadas burocracias jurídicas e legais para a sua existência, assim como os inexistentes incentivos por parte das gestões públicas para fortalecer esse ramo.

“É preciso que os gestores públicos entendam que as casas são uma atividade diferenciada e que precisam de uma legislação diferenciada para seguir”, disse Guida Gomes. “Acho que uma solução é que nós, que gerimos essas casas, possamos nos unir e lutar para garantir, enquanto política pública mesmo, que se transformem as leis para incentivar esses estabelecimentos”, falou Evandro Sena.

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Outros assuntos, como linhas de financiamento público voltadas para a manutenção dessas casas, um maior diálogo entre elas e os artistas, e, também, as dificuldades – em alguns casos – com vizinhanças, foram abordados durante o encontro.

“Precisamos fortalecer essa união entre nós, que fazemos essas ações em nossos locais, para que possamos fazer outras ações e outros encontros. Aqui é apenas um primeiro passo para isso”, disse Guida Gomes.

Iniciativa proposta por Evandro Sena é que os donos de estabelecimentos formem um grupo para diálogo constante sobre as questões que dizem respeito ao assunto, para propor ações efetivas, em especial, junto ao poder público, para a sobrevivências desses mundos gigantescos que movimentam a vida cultural da cidade.