Nesta quarta (28), às 19h, na galeria do Apolo 235, prédio do Porto Digital voltado para empreendedorismo inovador e economia criativa, será realizada a primeira Sessão Aberta Portomídia do ano, que vai debater a retomada analógica do vinil e seus impactos na fruição e no mercado da música.

Assustado Discos: selo de vinis em plena expansão em 2018

Para enriquecer o debate, foram chamados três nomes da cena “vinilística” pernambucana: Rafael Côrtes, produtor musical e responsável pelo selo Assustado Discos; Fábio Cabral de Mello, fundador da loja e do selo Passa Discos e Sérgio Cassiano, professor do Conservatório Pernambucano de Música, ex-integrante do grupo Mestre Ambrósio e colecionador de vinis.

Símbolo de resistência, Passa Disco se muda para o Espinheiro

Para participar do debate, que é gratuito e aberto a todos, basta fazer a inscrição no link seliga.ai/sessaoabertavinil. Para saber ainda mais sobre o Selo Assustado Discos, confira o vídeo com Rafael Côrtes:

O vinil no mercado

“O cenário atual não será o que já foi um dia, a gente não vai ter uma indústria do tamanho do que já foi. Hoje temos vários suportes para ouvir música, inclusive com diversos preços, como o streaming que é simples e baratos. A retomada dos vinis vai deve ser encarada como um nicho, pois se de um lado temos consumidores fixos, também observamos uma rotatividade, pessoas que entram e saem da onda por modismo. Dessa forma, o mercado segue numa crescente, mas não acredito num boom, mas também não acho que vá diminuir. O mercado de vinil tem sustentabilidade, mas é improvável que tenha o volume e o poder que já apresentou no passado”, explica Côrtes.

O passado a que Rafael se refere remonta a um mercado que viveu do consumo de música no formato de álbum, um grupo de músicas esteticamente organizadas e propostas pelos artistas e ou pelas gravadoras. Da farra dos CDs ao consumo da música em plataformas digitais, a indústria fonográfica precisou se reformatar e adaptar-se.

Para entender as mudanças desse mercado em números, basta comparar o ano de 1991, quando foram vendidos mais de 28 milhões de discos me vinil, com 1996, quando apenas 1,6 milhões formam comercializados – em 1997, esse número minguou ainda mais, chegando próximo de zero.

Anos depois da transposição de formatos (todo mundo conhece alguém da família que “se desfez” da coleção de vinis para consumir música em CDs), com algumas facilidades tecnológicas que permitiram a produção de discos em vinil de forma economicamente mais viável, percebe-se a crescente pontuada por Cortês.

Em 2017, a japonesa Sony anunciou que voltaria a prensar discos (ela não exercia a atividade desde 1989); no Brasil, no mesmo ano, uma fábrica de vinis, a Vinil Brasil, deu início às suas atividades em São Paulo, com todas as etapas do serviço: masterização, corte, galvanoplastia, prensagem e planejamento gráfico das capas, encartes e impressos (anteriormente, a única que fazia os serviços era a Polysom).

Nesse cenário, novos selos foram criados, lojas aumentam seus acervos, distribuidores diminuem as distâncias e artistas demonstram cada vez mais interesse em gravar seus trabalhos em vinil.

“Um conjunto de pessoas e funções estão se recriando e criando um novo caminho para trabalhar esse formato. O debate é válido, principalmente num contexto de tecnologia e inovação como o Porto Digital, já que quem trabalha com vinil não pode virar as costas para o digital e vice-versa”, conclui Côrtes.

Resistência

Outro debatedor da Sessão Aberta, Fábio Passa Discos, ou Fábio Cabral de Mello, completa, em 2018, quinze anos à frente da loja Passa Discos. O acervo atualmente conta com mais de dois mil CDs e 200 LPs – um número que tende a crescer, alavancado, também, pela venda de discos usados e reprensagens.

“Quando comecei, em 2003, ninguém falava mais no formato LP. Hoje, a procura é quase 30% das vendas. Vendemos os novos e também temos um sebo, com produtos usados. O apreciador de discos de vinil é, também, um garimpeiro, ele procura pela música, independente do disco ser novo ou não. Por isso, além dos lançamentos, não podemos ignorar esse mercado de usados. Eles são, inclusive, os LPs que mais vendem”, explica.

Fábio também considera o debate relevante. “Debater sobre um mercado que parece dominado pelas facilidades tecnológicas e formas digitais de consumo da música, muitas vezes de forma gratuita, é uma forma de refletir e de entender o papel desempenhado por uma cadeia produtiva da música que abastece esse nicho analógico”.

Sessão Aberta Portomídia: A retomada analógica do vinil
Galeria de Artes do Apolo 235 – Rua do Apolo, 235, Bairro do Recife, Recife – PE
Dia 28/02, às 19h
Evento gratuito com inscrições online: seliga.ai/sessaoabertavinil