A cidade conta sua história de várias formas. Uma delas é através da arquitetura. O traçado urbano do casario e dos edifícios diz muito sobre quem fomos e como chegamos até aqui. É a memória de um tempo que se foi e, se não for preservado ou registrado, pode se apagar para sempre.

Foi com o objetivo de dar visibilidade a esse patrimônio que a estudante de arquitetura Maria Laura Pires, 22 anos, criou o projeto Prédios do Recife. Registros fotográficos de edifícios emblemáticos (e anônimos) da cidade ganham relevância junto a uma abordagem histórica, que traz aos nossos olhos um Recife que se erguia na época dos nossos pais e avós.

A estudante Maria Laura Pires é a idealizadora do projeto (Foto: arquivo pessoal)

O foco do projeto é o mobiliário de arquitetura modernista no Recife, que marca um processo de intensa verticalização da cidade, na década de 1950. “O meu propósito é valorizar esses patrimônios modernos. Na época em que foram construídos, estavam em alta. Mas, agora, estão em decadência. Eu quero que as pessoas comecem a valorizar, porque é algo que não volta”, conta Maria Laura.

Edifício Trianon, na Avenida Guararapes (Foto: Maria Laura Pires)

“Desde 1928”, diz a imagem que abre a página do projeto no Facebook. O ano é em referência à fundação do Hotel Central, na Boa Vista, um dos símbolos dessa narrativa, que registrou prédios como o Edifício AIP, o Oceania (inspiração do filme Aquarius, de Kleber Mendonça), o Acaiaca e diversos outros.

Hotel Central visto de dentro – e o Recife visto de cima do Hotel Central

Na página, além das fotografias, os posts trazem as plantas baixas originais dos projetos dos prédios, além de textos – de Maria Laura e colaboradores – que relatam aspectos históricos de cada construção.

“Fiquei muito admirada com o conforto ambiental desses prédios”, diz Maria Laura. “O que mais me chamou a atenção é que eles não foram feitos para as empresas lucrarem. Eles foram pensados do ponto de vista funcional e estético, foram pensados para as pessoas morarem neles”.

Edifício Acaiaca: um caso de amor e de referência arquitetônica

Lançamento

Na última segunda (2), foi lançado o site do Prédios do Recife. No endereço, além de um breve resumo de como começou o projeto, o internauta pode acessar um blog (onde será disponibilizado o acervo fotográfico e histórico), e uma loja virtual, que coloca à venda parte do que já foi fotografado, em cartões postais.

Edifícios Tabira e Santa Rita, o “Beco do Fotógrafo” (Foto: Maria Laura Pires)

O lançamento comemora os dois anos do projeto, que começou como um trabalho de faculdade: a catalogação do mobiliário urbano da Avenida Conde da Boa Vista. O conjunto arquitetônico chamou a atenção do olhar de Maria Laura.

“Comecei a ver esses prédios bem diferentes, na Conde da Boa Vista, e me interessei em começar a fotografá-los”. O olhar curioso se transformou numa Fanpage, que, atualmente, conta com mais de 4 mil curtidores. No Instagram, são mais de mil pessoas seguindo o perfil Prédios do Recife.

Beco do Fotógrafo: um retrato analógico do Recife

“Eu não dava nada, só queria postar minhas fotos. Acabou tendo uma repercussão gigantesca”, lembra a estudante, que começou a ir além da imagem. Por incentivo do pai, que é jornalista, passou a investir também na pesquisa sobre a história de cada prédio fotografado.

O Prédios do Recife acabou entrando em matérias sites da Casa Cláudia e Revista Trip. Esta última, na sua edição impressa de novembro de 2016, citou a fanpage e publicou algumas de suas fotos.

Futuro

Além do site, Maria Laura pretende editar um livro baseado no acervo do Prédios do Recife. Para isso, está com um projeto engatilhado para inscrever no Funcultura, fundo de incentivo cultural do Governo de Pernambuco.

Ela acredita na receptividade das pessoas ao trabalho. “O público adora! E é todo tipo de público: tanto a galera de arquitetura, como pessoas que gostam das fotos e que começaram a observar esses prédios de forma diferente”.

Prédios do Recife
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