A poucos dias de mais um aniversário do Teatro do Parque, a Prefeitura do Recife publicou, na edição desta terça (22) do Diário Oficial do Município, um aviso de licitação para a conclusão das obras de reforma e ampliação do equipamento cultural, que desde 2010 está de portas fechadas.

Curiosamente, a publicação se dá às vésperas da realização de dois eventos que questionam, justamente, a morosidade do Executivo Municipal para a conclusão dessas obras: a audiência pública sobre a reabertura do teatro, nesta quinta (24), na Câmara Municipal do Recife, e a Virada Cultural do Teatro do Parque, que acontecerá no sábado (26), em frente ao equipamento.

De acordo com o presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife, Diego Rocha, a necessidade de serviços de restauro no teatro, não previstos no início das obras, ocasionou a demora na publicação de licitação.

Teatro do Parque está de portas fechadas há sete anos (Foto: JC Imagem)

“Nós tivemos que descontinuar o contrato anterior, para poder readequar as especificações técnicas, planilhas de custos, refazer cotações”, explica. “Isso tudo teve de ser feito para publicarmos uma licitação que não precisasse mais de correções e pudesse ser cumprida dentro do prazo que anunciamos”, complementa.

Ele acrescenta que mais duas outras licitações serão lançadas, em breve: uma para a compra dos equipamentos e outra para o restauro das cadeiras do teatro. Segundo Rocha, todas essas intervenções, juntas, somam um total R$ 12 milhões de investimentos em obras no Teatro do Parque.

Repercussão

Para o vereador Ivan Moraes Filho (PSOL), que solicitou a realização da audiência pública para discutir a reabertura do Teatro do Parque, a movimentação da PCR se deve à pressão das organizações sociais. “A prefeitura reage como tem que reagir, percebendo o movimento da sociedade civil e do parlamento, e procurando atender às demandas da população”, diz.

Ele acredita que a audiência pública será importante para explicar o detalhamento dessa licitação. “Ainda bem que agora temos essa publicação, pois a audiência será o momento oportuno para eles poderem dar mais informações”.

Para a produtora cultural e assessora de comunicação da Virada Cultural do Teatro do Parque, Mariângela Borba, o anúncio não foi uma “surpresa”, pois movimentação semelhante também ocorreu em 2015, ano do centenário do Teatro do Parque.

Reformas no Teatro do Parque aguardam continuidade (Foto: Fernando da Hora/JC Imagem)

“Na época, a classe artística havia anunciado um protesto em frente ao teatro. Poucos dias antes, a prefeitura fez a mesma coisa que está fazendo agora: publicou a abertura de uma licitação para a reforma do Teatro do Parque que, como todos sabem, não aconteceu”, lembra Mariângela.

Independente da publicação no Diário Oficial, tanto a audiência pública, como a Virada Cultural estão confirmadas. “E a intenção do movimento é continuar realizando as viradas até que o Parque seja efetivamente aberto, pois elas não são apenas ‘oba-oba’, mas, sim, uma forma de cobrar que o Parque reabra suas portas”, completa Mariângela.

Licitação

Em material enviado à imprensa nesta tarde, a Prefeitura informa que a licitação – que será aberta em outubro – abrange a segunda etapa das obras no Teatro do Parque, onde serão investidos cerca de R$ 5,8 milhões (recursos próprios da Prefeitura), com a conclusão das obras num prazo de 18 meses (um ano e meio).

Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria de Cultura, nesta segunda fase de obras “será concluída a construção do bloco de apoio ao cinema e feita a substituição de todas as instalações prediais (elétrica, hidrossanitária, telefonia e incêndio)”.

Além disso, também será executado “um novo tratamento acústico com implantação de uma sala de ensaio para a Banda Sinfônica do Recife; substituição do piso do palco e restauro integral do Teatro, incluindo todos os bens integrados a ele, como paredes, fachadas, esquadrias, pinturas decorativas, ornatos e frisos, capitéis das colunas, entre outros”.

Ainda, segundo a assessoria de imprensa, a primeira etapa da reforma, em 2015, contemplou serviços emergenciais na estrutura da edificação, com um investimento de R$ 1,1 milhão.

Na ocasião, foi realizada a substituição de madeiramento, telhas e rufo do telhado, assim como tubulações, fiações das instalações elétricas e hidrossanitárias e do sistema de drenagem do teatro.

Atualizado às 17h21, de 22/8/2017