Um projeto encabeçado por jovens recifenses pretende trazer mais pessoas transexuais às salas de aula. O Educar é TRANSformar é um espaço para diálogo e aprendizado, com aulas de pré-vestibular e oficinas que funcionam desde agosto, no DEMEC – Faculdade de Direito do Recife, bairro da Boa Vista, no Centro do Recife.

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imagem: divulgação/TRANSformar


O projeto é o braço de outro já existente no Rio de Janeiro (RJ), organizado também pelos jovens do
RUA (Juventude Anticapitalista). O TRANSformar é majoritariamente voltado para a preparação da população LGBT – em especial, trans – para o ENEM, mas também atende a mulheres e pessoas de baixa renda.

As aulas acontecem todos os sábados, e hoje são 25 alunos matriculados. Desses, mais de 50% são pessoas trans.

A maior dificuldade reside na manutenção do projeto. “Tudo é voluntário e não há fins lucrativos, mas temos gastos com o espaço das aulas, lanche dos alunos e transporte”, comenta Rávanny Landim, uma das coordenadoras do TRANSformar. Para ajudar, o projeto recebe doações através de uma vaquinha online.

Rávanny conta que a necessidade de um projeto específico vem dos números alarmantes. “A questão de fazer um projeto pré-vestibular voltado para o público trans vem das centenas de casos de pessoas que são expulsas de casa ou têm dificuldade para concluir o ensino e se inserir no mercado de trabalho”.

foto: divulgação/TRANSformar

Uma pesquisa feita em 2016, pelo Grupo Gay da Bahia, apontou que o Brasil é o país que mais mata travestis e transexuais no mundo. Foram 127 pessoas trans mortas em 2016, uma a cada três dias. A expectativa de vida dessas pessoas é de 35 anos, cerca de metade da média nacional, que é de 75 anos.

O projeto tem o intuito de melhorar não só os números relativos ao acesso básico, mas também o acesso ao ensino superior. “É inadmissível que a primeira pessoa trans a se formar no Recife tenha conseguido fazer isso só ano passado, em 2016. Temos muito a caminhar com as políticas públicas de acesso à educação e o projeto tenta atenuar essa lacuna”, conta Rávanny.

Caso alguém queira se inscrever no projeto, basta entrar em contato com um dos cinco coordenadores pelo Facebook do projeto. “No futuro, queremos ser um projeto com aulas diárias, de acompanhamento completo”.

Outro projetos no Recife

imagem: divulgação/Monalisa

A Rede Monalisa, também recifense, faz um trabalho muito legal na inserção de pessoas transexuais no mercado de trabalho, além de atuar fornecendo apoio psicológico e capacitação empresarial para que as empresas sejam capazes de construir uma inclusão real, com afeto e respeito. Para saber mais do projeto, acesse o site.

SERVIÇO
Projeto Educar e TRANSformar
DEMEC/Faculdade de Direito do Recife | Rua Hospício, 762 – Boa Vista