Com “o retorno” do vinil às prateleiras dos apreciadores de música em todo o Brasil, há um tempo que o disco deixou de ser um mero souvenir. Cada vez mais ouvido, cada vez mais desejado, o LP tomou de volta o seu posto nas radiolas das festas e residências por aí afora.

No Recife, há um lugar que é ponto de encontro certo para quem curte vinil e sabe que vai encontrar o que mais ninguém tem: a Taberna do Vinil, que funciona no 1º andar do número 513, na Rua Gervásio Pires (de frente para o Hospital Geral do Recife), bairro da Boa Vista.

Foi a paixão “desenfreada” por vinis do professor Kennedy Maia, 52, que deu cria à Taberna. Aficionado por música desde pequeno, Kennedy fez da loja um reduto dos seus iguais, mas também casa de braços abertos para todos que gostam de música: iniciantes, curiosos… o público em geral.

(Foto: Leonardo Vila Nova/PorAqui)

A loja abriu suas portas em 2014. De lá para cá, se consolidou no mercado local de venda de vinis e oferece uma variedade impressionante de discos à venda. São mais de 1.300 títulos disponíveis nas prateleiras da Taberna.

“Aqui tem de Menudo a Vivaldi”, diz Kennedy sobre o leque de opções musicais que se encontra na loja. Ele, um devorador confesso de rock’n’roll setentista, MPB, udigrudi, ampliou o catálogo da loja para os mais variados estilos, a fim de atender a um público cada vez mais plural que chega lá.

“Uma vez, uma senhora chegou e perguntou se eu tinha um disco da Perla! Eu disse que não, mas que ia atrás e que ela me desse 15 dias e voltasse à loja”, diz Kennedy, que localizou o pedido da cliente e sacramentou a venda. “Ela saiu daqui satisfeitíssima”, relembra.

Hoje, a Taberna, além de vinis, vende: fitas K7, DVDs, camisetas (de bandas ou não), bolsas, pulseiras, brincos, cadernos de anotação, limpadores de discos, entre outros artigos. Mas, o grande barato mesmo da loja continua sendo o vinil, disparado.

Mesmo com o desmantelo da indústria fonográfica, a queda nas vendas de CD e o advento da música digital (via download ou streaming), Kennedy disse que há um fetiche pelo artigo. “Porque tem o tamanho do produto, a capa, o encarte, o prazer de se ter isso em casa e também o som do vinil, que é incomparável”.

(Foto: Leonardo Vila Nova/PorAqui)

Junto a esse revival do vinil, Kennedy observa a diferença no perfil dos consumidores do material. “Diferente do que era na minha época, lá pelos anos 80, o público de hoje é de maioria feminino”, constata. “E também de jovens. Claro que há os mais velhos, os colecionadores, mas o público jovem tem crescido muito”.

Os olhos de Kennedy brilham quando ele conta que discos raríssimos podem ser encontrados em sua loja. “Uma vez, um cara chegou aqui e arrematou o Paebirú, de Lula Côrtes, ORIGINAL (ênfase de Kennedy ao falar “original”). Ele comprou por R$ 4.900”, diz.

Mas ele ressalta que esse é preço de artigo de luxo para colecionador, por se tratar de um disco raro. “Na minha época, não tinha essa valia toda. Por isso, trabalhamos com preços nem tão altos, nem tão baixos. E sim preços justos e acessíveis para a rapaziada”.

Eventos

Além de funcionar como loja, a Taberna do Vinil também tem fomentado junto ao seu público a apreciação da música, com a realização de eventos, como audições de discos, pocket-shows, entre outros.

Já é tradição da casa o Happy Hour que acontece sempre na primeira sexta-feira de cada mês (desde que ela seja após o dia 5. Caso não, fica para a sexta-feira seguinte). O expediente da loja se estende para a audição de discos de rock, jazz, blues e similares.

Uma novidade que deve estrear no final deste mês é o “Sábado Samba Cerveja e Rock’n’Roll”, que acontecerá nas tardes de sábado, sempre com algum pocket-show mais voltado às música brasileira, seja o samba, chorinho ou música popular no geral. A primeira edição está prevista para acontecer no dia 26 de agosto.

Na escadaria que dá acesso ao 1º andar (onde está a Taberna) já dá pra sentir o clima (Foto: Leonardo Vila Nova/PorAqui)

A Taberna do Vinil também vem marcando presença em feiras de vinis na cidade: a da Passa Disco, promovida pela loja da Zona Norte; e a do Paço Alfândega, no Bairro do Recife.

E a loja realiza, bimestralmente, a sua própria feira de vinis, trazendo expositores de outros estados, como Rio Grande do Norte e Paraíba.

SERVIÇO
Taberna do Vinil
Rua Gervásio Pires, 513 (1º andar) – Boa Vista
Segundas, terças, quartas e sextas, das 10h às 18h
Quintas, das 10h às 15h30
Sábados, das 10h às 14h
Telefone: (81) 9 8563-8044