Já há alguns bons anos, o multiartista Tiago West trafega por várias linguagens, e desde muito jovem possui farto material para expressar sua produção. Por ora, escolheu unir poesia e artes visuais para lançar no mundo um quinhão interessante do que ele expressa como ato de criação original e pulsante.

West inaugura, nesta quinta (14), às 19h, ‘poema-viga, palavra-olho’, sua primeira exposição individual, no Centro Cultural dos Correios, no Bairro do Recife. Serão 65 peças onde palavra e imagem confluem, retroalimentando sentidos e significados, revelando novas percepções. A mostra seguirá até 16 de fevereiro de 2018.

(Foto: Reprodução)

Nascido em Salvador (BA), mas vivendo em Recife desde os três, ele sempre teve a arte como ofício de fé. Música, poesia e artes visuais sempre estiveram transitando em sua órbita sensível. Combinar duas dessas linguagens como forma de “provocação estética e semântica” foi algo depurado com o tempo.

“Desde a adolescência comecei a ter uma preocupação visual com meus poemas, ainda sem essas dimensões, era mais uma atenção especial em relação à disposição dos versos, as divisões”, conta West. “Alguns outros experimentos pontuais também surgiram pouco depois. Mas, com certeza, vale frisar que conhecer mais a fundo a poesia concreta acentuou a fusão”.

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E é esse o termo – poesia concreta – que ele considera mais oportuno para “definir” essa parte da sua obra. O legado estético construído pelos irmãos Haroldo e Augusto de Campos e por Décio Pignatari é claramente visível em sua produção. “Faço uso disso, mas também jogo com semântica mesmo, já que meu texto, diferentemente da produção concretista mais ortodoxa, é bem discursivo”.

A primeira peça de West seguindo essa linha data de 2001, um manuscrito que estará na exposição. Nos últimos anos, ele se dedicou mais intensamente a esse tipo de produção. “O material consiste sobretudo em artes gráficas feitas em computador e emolduradas posteriormente”, explica. Atualmente, ele tem cerca de 80 peças de poesia visual.

Palavra x imagem

Quem vale mais nesse tipo de criação: a palavra ou a imagem? Na obra de Tiago West, o texto, em poemas velozes, diretos e crônicos, por vezes, se converte em revelações quando tem o suporte visual, que lhe amplifica o sentido, arrematando a mensagem.

“O texto é mais forte. A começar pela nossa relação mais antiga – escrevo poemas desde a infância e nunca descansei. E, estatisticamente, nota-se seu protagonismo maior, já que em todas as obras ele é destaque, o acabamento gráfico não”, diz.

(Foto: Reprodução)

“De fato, em muitas, palavra e imagem têm valor igual ou parecido, são narrativas e discursam em união, não há independência. Mas em outra parte do trabalho as soluções estéticas servem mais como agrado visual, adorno, convite ou algo do tipo”, conclui.

Como adquirir

Das 65 peças de ‘poema-viga, palavra olho’, nem todas são vendíveis. As que estarão disponíveis são vendidas sob e encomenda, após o término da exposição (16/02/2018), estarão sinalizada sobre como adquirir. Não são peças únicas. West reproduz os modelos a partir de solicitações. O demais (objetos, quadros de feitura manual etc) são de acervo pessoal meu. Os valores variam entre R$ 60 e R$ 300. As peças podem ser solicitadas através do email tiagowest@gmail.com.

Exposição ‘poema-viga, palavra-olho’, de Tiago West
Inauguração: Quinta (14), às 19h
Visitação: 15 de dezembro até 16 de fevereiro de 2018
Centro Cultural dos Correios | Av. Marquês de Olinda, 262 – Bairro do Recife
Terças às sextas, 9h às 18h
Sábados e domingos, 12h às 18h
Entrada franca