Escondida entre os carros estacionados na Rua Sá e Souza, está uma memória viva de Setúbal: a banca de revistas que leva o nome do bairro e que o viu crescer e mudar nos seus 38 anos de existência. Seu Vamberto, proprietário do local e morador do local desde criancinha, é um daqueles vendedores de revista de antigamente: ele traz a notícia no papel e na ponta da língua.

Seu Vamberto diz que acompanhou ao vivo, do balcão de sua banca de revistas, as reações de três gerações de leitores diante das mais variadas notícias. Por meio da Banca Setúbal, chegaram às ruas do bairro notícias como a queda do Muro de Berlim, o fim da União Soviética e o impeachment de Collor.

“Eu lembro de uma senhora que comemorou aqui na calçada quando veio de manhã comprar o jornal e viu que tinha caído o Muro de Berlim. Parece que ela tinha algum parente por lá”, relembra.

Seu Vamberto e a Banca Setúbal (Foto: Suzana Souza/PorAqui)

Ele fala de um Setúbal de quando não haviam tantos espigões em volta da banca, nem farmácias espalhadas por tudo quanto é canto. “Me lembro muito de ver vários jovens indo em direção à praia com suas pranchas de surf, bem cedinho, quando eu abria a banca”, conta.

Em tom bem humorado, Seu Vamberto comenta também sobre os desafios da manutenção do negócio da notícia em papel na era em que tudo é virtual. “Matéria pro PorAqui? Mas assim vocês vão falir minha banca”, brinca.

Foto: Suzana Souza/PorAqui

Hoje, com a escassez de títulos a venda, o revisteiro afirma que sua maior fonte de renda são os doces, cigarros e recargas de celular, muito diferente dos tempo idos em que crianças colecionavam álbuns, adolescentes liam revistas e adultos compravam jornal. “Tem um ou outro vizinho que ainda vem todo dia cedinho comprar jornal. É um hábito bonito de ver”.

O proprietário conta de clientes que viu nascer, crescer, ter filhos e morrer. E diz que ainda acredita no futuro do seu negócio. “Hoje eu vendo ‘bom dia’, vendo contato humano e vendo conversas sobre as notícias. Não tem tecnologia que possa oferecer isso”.