O cruzamento da Rua Sá e Souza com a Rua Dr. Luís Inácio Pessoa de Melo, no coração de Setúbal, tornou-se um dos mais movimentados da localidade nos últimos meses. Cansados de esperar pela Companhia de Trânsito e Transporte Urbano (CTTU), após inúmeros protocolos sem resposta, moradores resolveram pintar por conta própria, em dezembro 2015, uma faixa de pedestres.

O órgão, por sua vez, prometeu fazer uma contagem do fluxo de pedestres e veículos na via, para verificar a necessidade de implantar a sinalização. Mas, até o momento, nada foi feito. O prazo dado pela CTTU agora é entre o final de fevereiro e o início de março.

A CTTU – além de informar que não aconselha a pintura da faixa por moradores, porque é preciso seguir os padrões determinados pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB) – disse, em dezembro, que iria realizar a contagem na via, mas não deu prazos. Segundo o órgão, é possível realizar a travessia em segurança nos cruzamentos das proximidades.

Nesta semana, a CTTU confirmou que uma equipe técnica do órgão esteve em Setúbal em setembro de 2015, como lembra o morador Daniel Uchôa, do Coletivo Setúbal, responsável pela pintura. Mas alega que não foi com o intuito de estudar a implantação dessa faixa de pedestre em específico.

Na ocasião, diz a CTTU, foi realizado o levantamento de dados da localidade, inclusive de outras vias, para a realização de projetos para a melhoria de circulação da área, a exemplo de binários, inversões de sentidos, disciplinamento de estacionamento, etc.

O perfil do tráfego no local mudou em consequência do aumento do número de estabelecimentos comerciais nas imediações, a exemplo do supermercado RM e dos food trucks. Muitas crianças e idosos atravessam carregando sacolas. A faixa pintada por um grupo de cerca de dez moradores já está se apagando, pois usou-se tinta de parede e rolos comuns.

O relato de moradores que tomaram à frente da situação é que acidentes, principalmente entre carros e ônibus, são frequentes. Além da imprudência, os motoristas dirigem em alta velocidade, o que dificulta a passagem dos pedestres e facilita os atropelamentos. As solicitações na CTTU começaram ainda no início de 2015. Felipe Malagueta, também membro do Coletivo Setúbal, acumula mais de 30 protocolos.

“A 300 m tem uma faixa nova, na frente da Escola Americana. A Prefeitura do Recife faz propaganda para mostrar a necessidade de usar a faixa, mas nega a necessidade de uma num local que se transformou num trecho de interação”, comenta Daniel.

Ele lembra que a ação de pintura da sinalização pelos setubalenses aconteceu após a prefeitura lançar a campanha “A vida continua do outro lado da faixa”, para incentivar o uso da faixa de pedestre. “Está no imaginário das pessoas do bairro que aquele lugar pulsa, o negócio é diferente ali naquele cruzamento”, justifica Daniel.

LEIA TAMBÉM

Cansados de esperar, moradores pintam faixa de pedestres