A última limpeza foi realizada em abril deste ano. Mas o Canal do Jordão (o canal de trás de Setúbal) já está tomado por vegetação. Em alguns pontos, a água tem dificuldade de correr de tanto mato. O crescimento das plantas juntamente com o lixo dificulta a drenagem do canal, além de criar um ambiente propício para proliferação de insetos e aumentar o mau cheiro. O problema tem várias causas e consequências.

O presidente da Associação Águas do Nordeste (Ane), Ricardo Braga, explica que, no momento em que há necessidade que a água do canal corra com mais rapidez – como em períodos de chuva forte -, a vegetação termina segurando o lixo, além de esbarrar em pontos de estrangulamento, como pontes e outras restrições do sistema viário. "Esse impedimento do fluxo nos momentos críticos de chuva é um problema", atesta.

Além disso, quando a água fica parada, a tendência é que a quantidade de mosquitos cresça, por conta do ambiente propício ao desenvolvimento de larvas. Outro problema: água parada e material em decomposição são a dupla perfeita para que o mau cheiro impere.

Braga, que é biólogo e professor aposentado da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), fala também das causas desses problemas. Os canais, nas grandes cidades, quando não há um sistema adequado, terminam recebendo também água e materiais sólidos provenientes do escoamento de superfície, carregando uma grande quantidade de matéria orgânica, a base para o crescimento das plantas. 

Uma vez que a cidade está suja e tem muita ligação de águas pluviais (chuvas) desembocando nas redes de esgoto, o problema torna-se sistêmico, uma coisa puxa a outra. "Então drenagem, esgotamento sanitário e limpeza urbana concorrem para o problema", sintetiza o especialista.

Emlurb – O PorAqui entrou em contato com a Empresa de Manutenção e Limpeza Urbana do Recife (Emlurb) que informou que "os serviços de limpeza nos canais que cortam a cidade acontecem, pelo menos, uma vez por ano. O trabalho no Canal do Jordão foi realizado em abril desse ano, quando foram removidas mais de 14 toneladas de resíduos, a um investimento de R$ 230 mil. Uma vistoria será programada para avaliar a situação do local". O órgão, porém, não informou data.

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