Do Jornal do Commercio

Cansados de esperar pela pintura de uma faixa de pedestres, moradores de Setúbal, Zona Sul do Recife, decidiram partir para a ação. Eles pintaram, por conta própria, uma faixa no cruzamento da rua Sá e Souza, uma das principais do bairro, com a rua Dr. Luís Inácio Pessoa de Melo. “Foi um trabalho em grupo, umas 10 pessoas se uniram, uma tinha tinta de parede, outra pegou o rolo e pintamos”, conta o sociólogo Daniel Uchôa. A ação acontece após a Prefeitura do Recife lançar a campanha “A vida continua do outro lado da faixa”, para incentivar o uso da faixa de pedestre.

Daniel faz parte do Coletivo Setúbal, grupo de moradores que se uniram para melhorar o bairro. Ele mora perto do cruzamento e diz que os acidentes, principalmente entre carros e ônibus, são frequentes. Além da imprudência, os motoristas dirigem em alta velocidade, o que dificulta a passagem dos pedestres e facilita os atropelamentos. “A rua tem um fluxo muito grande de pessoas, porque temos supermercados, academias, restaurantes, tudo aqui perto”, continua.

O Coletivo Setúbal solicita uma faixa de pedestres a Companhia de Trânsito e Transporte Urbano (CTTU) desde o começo do ano, sem sucesso. “Eles já mandaram uma equipe de contagem de fluxo há três meses, mas nada de pintar a faixa. Aqui o pedestre está esquecido, só existe sinalização e faixa para carros”, reclama Uchôa. Também membro do Coletivo, Felipe Malagueta acumula protocolos. “Tenho uma lista com mais de 30, porque ligo para a CTTU quase todos os dias”, diz. Agora os moradores querem que uma faixa oficial seja pintada.

Em nota, a CTTU informou que não aconselha a pintura da faixa por moradores, porque é preciso seguir os padrões determinados pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB). A Companhia ainda disse que vai realizar uma contagem na via, para verificar a necessidade de implantar a sinalização, mas não deu prazos. Segundo o órgão, é possível realizar a travessia em segurança nos cruzamentos das proximidades.

O aposentado Ricardo Melo discorda. Morador da área há 10 anos, ele gostou da nova faixa de pedestres porque não se sente seguro para atravessar a rua. “Muitos idosos atravessam carregando sacolas, eu mesmo tenho medo, mas agora pelo menos têm algo para fazer os motoristas prestarem mais atenção nos pedestres”, comenta.