Pra quem é mais novo, pode parecer uma ideia surreal surfar na praia de Boa Viagem e Setúbal, mas tem uma galera das antigas que vivia pelas bandas de cá, bem antes do surfista urbano conviver com o perigo dos ataques de tubarão. Alexandre Gondim, jornalista fotográfico do Jornal do Commercio e redator do Blog do Surfe, é um dos nomes que ficaram conhecidos no meio do surf do Recife e que ainda tentam perpetuar o esporte na Região Metropolitana.

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foto: acervo pessoal/Alexandre Gondim

Surfista desde os 16 anos, Alexandre pegou a moda do surf no Recife bem no comecinho dos anos 80: “A galera se reunia principalmente no posto 6, ali na altura do Acaiaca. Era um monte de moleque que passava a manhã no mar”. Alexandre chegou a competir profissionalmente com o bodyboarding, outro esporte do mar, e foi quinto lugar no mundial de 1985 no Rio de Janeiro.

Quando entrou na faculdade em 1991, o jornalista abandonou o bodyboarding profissional e voltou com o surf. Mas o ponto de rompimento da relação de Alexandre com o mar de Setúbal foi quando um vizinho e amigo foi atacado por um tubarão em Boa Viagem. “O moleque era meu vizinho e a gente sempre pegava onda juntos. No dia em que ele foi atacado, eu estava no mar, mas num ponto um pouco mais distante dele. Foi um choque pra mim, lá nos meus 20 anos, sacar que algo assim poderia acontecer comigo.”

Quem passou por situação parecida foi o professor e filósofo Mário Souza, morador do bairro de Setúbal e surfista desde adolescente. Mário conta que também frequentava assiduamente a praia de Boa Viagem e parou depois que os ataques começaram a acontecer “Me lembro bem do dia que estava em casa com minha mãe e passou no jornal o caso de um menino que foi atacado lá perto da pracinha, aí ela me proibiu de ir. Ainda fui algumas vezes, mas a galera começou a se ligar que era fria mesmo”.

Perigo: Área sujeita a ataque de tubarão

Uma das medidas que já foram apontadas e planejadas é a instalação de telas de proteção. Em 2011 foi feito um projeto pela ONG Instituto Praia Segura para instalação de telas em alguns trechos da praia de Boa Viagem. Há também o lado dos defensores do Movimento P5, a praia é nossa que defendem a matança dos animais, além do opinião dos ambientalistas que acreditam que algumas praias devem ser liberadas para os tubarões e livres da presença humana.

O debate é longo e não encontrou nenhuma saída até então: nenhum dos projetos andaram pra frente e a praia segue sem nenhum tipo de proteção contra os ataques, que somam de 1992 a 2016 57 registros, entre feridos e mortos. A única maneira segura de nadar segue respeitando os horários da maré e a indicação dos arrecifes.

Alexandre e Mário já não surfam mais em Setúbal ou Boa Viagem, mas sempre que podem vão ao Litoral Sul pegar uma onda. E fica a dica: surfar por aqui não dá mais pelo perigo de ataque de tubarão, mas dá pra ir tomar um banho de sol, um caldinho e curtir um som gostoso na praia.

https://www.youtube.com/watch?v=_qsk1dmUmms