Uma professora do Colégio Madre de Deus provou que o jogo Pokémon Go vai além da polêmica sobre segurança e privacidade. O game tornou-se, com apoio de pais e alunos, uma ferramenta de aprendizagem capaz de unir diversão e conhecimento científico. A professora Isabel Borges, no colégio há 14 anos, propôs um desafio aos alunos: desvendar a taxonomia (classificação) dos pokémons.

(foto: Colégio Madre de Deus/divulgação)

O desafio era montar uma “sinopse” dos personagens, mostrando sua formação, evolução e história. A maioria dos pokémons é uma junção de um vegetal com um animal, um prato cheio para as aulas de ciência. O projeto foi implementado inicialmente nas turmas de 7º ano. Tudo começou com desenhos de alunos voluntários na hora do intervalo. Depois Isabel propôs os desenhos com a descrição taxonômica. Cada estudante ficou livre para escolher que pokémon queria trabalhar.

“Quando eu entrei em sala no dia após o lançamento do jogo no Brasil, eu sabia que precisava de uma proposta pedagógica diferente. Ou a gente apresenta as ‘modinhas’ em sala de aula ou a gente sai perdendo”, conta a professora, que também é caçadora de pokémons. “Por exemplo, de dia há pokémons que vivem na superfície. De noite, debaixo da terra. Isso já me permitiu falar sobre fotossíntese e seres autótrofos e heterótrofos”, detalha a docente.

“Como o 6º ano também sabia que eu jogava e que tinha passado o desafio para o 7º ano, eles terminaram entrando no projeto. Para eles, a atividade era desenhar o pokémon e escrever a sinopse em português e inglês”, relata Isabel sobre a parceria com o professor Josué Gomes. Ao final, todos os alunos montaram uma exposição coletiva no pátio do colégio.

(fotos: Colégio Madre de Deus/divulgação)

“Não podemos nos furtar da realidade, mas devemos transformá-la para que seja sempre positiva para os alunos, uma vez que eles estão em construção”, opina vice-diretora Colégio Madre de Deus, Cláudia da Fonte. Sobre a polêmica da invasão de privacidade do jogo, Isabel avalia que “o Facebook é muito mais invasivo”. O colégio acredita que o projeto também ajudou os alunos a condicionarem melhor os horários: há horário para estudar, para brincar e também para estudar brincando.

“Eu busquei uma ação pedagógica diante da adesão dos alunos e das críticas que eu ouvia de outros adultos. E aí, nesse processo, você não distingue quem é a Isabel professora, mãe, mulher, pessoa”, conta a docente, adepta confessa do mundo dos games, mãe de dois adolescentes. O mais legal é que, aos 50 anos, eu tenho idade para ser avó de muitos desses jovens. Acho que eles se questionam ‘como essa professora de 50 anos joga Pokémon Go?'”, brinca.

Leia também

Colégio Grande Passo promove Bazar Bota-fora Consumismo

Escola Fernando Mota lança projeto de financiamento colaborativo para horta coletiva

Sugestões e colaborações? poraqui@jc.com.br ou (81) 3413.6543