De um lado, uma população amedrontada. Do outro, uma polícia com severas restrições de recursos. Na primeira reunião dos moradores e comerciantes com o 19º Batalhão da Polícia Militar (BPM), nesta segunda (11), não faltaram relatos de assaltos e queixas sobre a insegurança que tomou conta do bairro nos últimos meses. Cerca de 50 pessoas estiveram presentes na Rua Copacabana.

O estudante da Escola Fernando Mota, Gedson Andrade, por exemplo, contou que muitos alunos estão deixando de frequentar as aulas por causa do medo. "Uma aluna foi assaltada em dois dias seguidos. No segundo dia, levou um tapa na cara quando disse ao assaltante que já haviam levado tudo no dia anterior", relatou.

Onda de assaltos assusta moradores e comerciantes de Setúbal

O subcomandante da 19º, o Major Paulo Matos, explicou a difícil situação em que a corporação se encontra e enfatizou que o reforço vem sendo feito na área. Ao final do encontro, os participantes ficaram de criar um grupo no WhatsApp para auxiliar na comunicação com a PM e na troca de informações, para que a polícia tente agir de forma mais rápida e passe a ter conhecimento dos detalhes das investidas.

O grupo a ser criado é semelhante ao que já existe em Setúbal, com moradores que vivem na parte mais próxima ao mar. Diariamente, eles trocam informações com a polícia e acompanham as apreensões. O subcomandante ressaltou diversas vezes que é preciso registrar as queixas para que elas virem estatística no banco de dados do governo e isso possa gerar retorno no reforço.

Esse foi o primeiro encontro com a polícia, agendado através do vereador Marcos Menezes, que também é delegado. Uma segunda reunião está agendada para esta quarta (13) às 19h, no Hotel Grand Mercure Recife Atlante Plaza, na Av. Boa Viagem, nº 5426. Quem estará presente representando a corporação é o comandante do 19º BPM, o capitão Manoel Rego Barros. Esse segundo encontro está sendo puxado pelo Coletivo Setúbal, para apresentar oprojeto Setúbal Seguro.

Assista aos principais trechos do encontro:

Falta de apoio – Quem esteve presente reclamou da falta de apoio e da lentidão da PM, além de queixar-se da ausência de viaturas e de homens a pé nas vias menos movimentadas, na parte mais ocidental do bairro. O representante da polícia, por outro lado, argumentou que a corporação vem fazendo o máximo que pode com os recursos que tem. 

Mas, além de poucas viaturas, há poucas delegacias. Os veículos terminam ficando parados por muito tempo nas idas e vindas transportando vítimas, suspeitos e testemunhas e aguardando audiências de custódia. "Na audiência de custódia, a maioria está sendo solta. Temos viatura que já prendeu o mesmo elemento mais de dez vezes. Temos o caso de um sargento que, antes de ser enterrado, o culpado pela morte dele já havia sido solto", detalhou o subcomandante.  

Uma moradora relatou que foi assaltada na semana passada, na R. Waldemar Nery,  e precisou esperar quatro horas na delegacia, onde presenciou três viaturas paradas aguardando o desfecho de outro cado. Detalhe: antes da investida, fazia 30 minutos que um edifício já havia ligado para a polícia, quando dois homens armados foram vistos na área, mas ninguém chegou ao local. 

Na ocasião, uma das informações repassadas por policiais informalmente a essa moradora é que muitos assaltos têm sido feito por criminosos do bairro do Jordão, que têm fácil acesso a Setúbal pelo canal. O major Matos – que também enfatizou ser necessário um reforço na iluminação por parte da prefeitura – comprometeu-se a repassar à corporação mais atenção para que haja um reforço nessa área de fronteira, "uma área crítica", partilhada com o 6º Batalhão.

Mobilidade – Alguns moradores solicitaram um posto policial. No entanto, o subcomandante argumentou que essa não seria a melhor saída, pois seriam necessários oito homens para uma estrutura desse tipo. "Precisamos de mobilidade, de viaturas para que os homens possam fazer ronda, para que cresça a sensação de segurança", explicou, adiantando que a frota do Estado deve ser renovada em agosto.

O major Matos explicou ainda que estão sendo realizadas operações de reforço em Setúbal, a exemplo da Ostensividade, com homens a pé (os bonés laranjas) e da Saturação, em que viaturas de outros batalhões são deslocadas para a área. Além disso, o reforço da cavalaria já foi solicitado para Setúbal e está em análise pelo comando.

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