Logo após a primeira reunião com o 19º Batalhão da Polícia Militar (BPM) – responsável pela segurança na área -, no dia 11 de julho, foi criado um grupo de WhatsApp para integrar moradores e a corporação. Aos poucos, as pessoas foram aderindo e hoje já existe uma fila de espera para participar, uma vez que o grupo atingiu o limite permitido pelo aplicativo, de 256 membros.

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O espaço tem sido utilizado para que a população e a polícia, juntas, monitorem o bairro. Nesta semana, por exemplo, a PM conseguiu prender dois dos cinco assaltantes que invadiram a Villa Setúbal graças às informações repassadas no grupo.

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Aos poucos, o grupo foi integrando quem mora na parte de trás do Canal do Jordão e também quem mora na porção da frente. "Não fazia sentido restringir a participação, porque o bandido pode roubar na Rua Copacabana e fugir pela Visconde de Jequitinhonha", explica Paula Rúbia Torres, cientista social, advogada e uma das administradoras do grupo de WhatsApp.

Os grupos Policiamento de Setúbal e Setúbal Seguro têm metodologias diferentes, mas um objetivo em comum.

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Como funciona – Por exemplo, quando a polícia aborda um suspeito, envia uma foto dele para que alguém do grupo Policiamento Seguro auxilie no reconhecimento. Isso porque é recorrente o número de assaltos por um mesmo bandido. Existe também o monitoramento de veículos e pedestres suspeitos.

"Recentemente passamos uma tarde inteira monitorando um homem que ficou circulando de bicicleta, aparentando estar sem destino", conta Paula.

Controle – Como o objetivo é criar uma rede informativa e operacional, antes de um membro fazer parte os administradores enviam as regras para que a pessoa fique ciente do que pode e o que não pode. Num primeiro erro, o participante é advertido. No segundo, retirado. Não é permitido compartilhar informações que não tenham a ver com segurança.

Pesquisa – Com o objetivo de reunir os casos de assalto e traçar estatísticas, o grupo também tem feito pesquisas. Como Setúbal não existe oficialmente como bairro, não há dados oficiais. Os casos ficam perdidos dentro das estatísticas de Boa Viagem. 

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O levantamento tem sido feito através de um questionário, para saber, por exemplo, qual o tipo de crime, onde ele aconteceu, a que horas, como o criminoso e a vítima estavam se locomovendo, qual era a idade da vítima, o que foi levado, etc. Os relatórios também servem para que todos tenham conhecimento de quem faz parte do grupo.

"Já percebemos que o pico dos assaltos acontece das 6h às 9h e das 17h às 20h. Hoje é mais seguro andar de madrugada pelo bairro do que ir comprar pão à noite na padaria", comenta Paula. Esse tipo de informação acende um alerta para que a população evite, por exemplo, deslocar-se em pequenas distâncias com celular ou pertences à mostra.

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