Quem passa pela Rua Sá e Souza e não conhece bem Setúbal, dificilmente nota que, após o fiteiro e a grade preta, pouco antes do cruzamento com a Rua Luiz Inácio Pessoa de Melo, existe um beco que guarda parte da história do bairro. Ali estão erguidas 35 casas. São 35 famílias que passam despercebidas em meio ao gigantismo do mercado imobiliário da Zona Sul do Recife. 

No local, sequer chegar correspondência. Quando chove muito, alaga. O esgoto consequentemente dá às caras. A coleção de fios na entrada denuncia a falta de atenção da companhia energética do Estado e das empresas de telefonia. A companhia de água e saneamento tem relógios de medição instalados no local, mas nunca fez uma obra de melhoria. 

"Ficamos vendo o crescimento de Boa Viagem ano após ano e a situação da comunidade se mantendo na mesma", comenta Wanderson Medeiros, radialista, estudante de jornalismo e morador do beco desde os seis anos de idade.

Para transformar o beco numa vila, a Vila Sá e Souza, o Coletivo Setúbal e os moradores estão construindo um movimento de aproximação. Alguns desses moradores trabalham nos eventos organizados pelo coletivo, como bombeiros e fornecedores.

É por meio do Gema (Grupo de Experimento e Manifesto Arquitetura) que eles estão montando um projeto com duas grandes frentes: uma estrutural, mais coletiva, de melhoria da drenagem e do esgotamento sanitária; e outra de revitalização do local, de demandas mais individuais, com melhorias como espaço para guardar material e bikes, pequenas hortas, espaços de convivência, aspectos estéticos.

"A lógica do Gema, um grupo, na verdade, interdisciplinar, é entender as necessidade de comunidades dentro da lógica das pessoas que estão inseridas nas comunidades", explica Max Vinícius, idealizador do grupo e formando em arquitetura. "O papel do Coletivo Setúbal aqui é inserir melhor a comunidade no bairro", detalha Daniel Uchôa, sociólogo, membro do coletivo e empreendedor no bairro no ramo de food truck.

A mão de obra já está acertada, será dos próprios moradores da comunidade. O grupo está agora estudando a viabilidade da estrutura financeira dos projetos. Uma empresa privada do ramo de construção já deu sinal de que tem interesse em patrocinar parte da ideia doando material. Outras empresas, inseridas no bairro ou não, que quiserem ajudar são muito bem-vindas. O e-mail para contato é projetosgema@gmail.com.

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