Duas mulheres têm seus nomes cravados no Parque Dona Lindu. Uma batiza o próprio parque, a outra a galeria de arte. Mas você sabe de fato quem foram?  Com histórias de vida bem diferentes elas têm em comum o protagonismo feminino e a  transformação de vidas.

Enquanto Janete Costa, arquiteta e designer pernambucana, representa a mulher que revolucionou pelos traços e cores levando Pernambuco pelo mundo, Dona Lindu insurgiu como a mulher nordestina, sem posses e educação formal, que levou Pernambuco à presidência do país.

Janete Ferreira da Costa nasceu em 3 de junho de 1932, em Garanhuns. Até os 7 anos viveu em João Pessoa, depois Paulista, Natal e Recife onde iniciou os estudos em arquitetura. Em 56 mudou-se para o Rio onde conclui seus estudos retornando para Recife em 1969.

Toda essa “andança” permitiu a Janete um vasto conhecimento da cultura popular brasileira, em especial a Pernambucana. Janete costumava dizer que antes da arquitetura o artesanato teria sido sua primeira grande atuação, daí levá-lo aos seus mais diversos projetos ao longa da vida.

Importante personagem da arquitetura moderna brasileira, Janete promovia a articulação entre o erudito e o popular, entre as obras e as pessoas, buscando promover uma transformação sociocultural. Esse jeito único lhe rendeu um lugar importante no cenário mundial e um olhar mais respeitoso de todos pelo artesanato. Para ela o artesanato deveria ir além do regionalismo, sem perder sua essência e unicidade, e atingir um patamar de valor que assegurasse ao artesão uma melhor qualidade de vida.

Uma melhor qualidade de vida também foi o que Eurídice Ferreira de Melo, a Dona Lindu, buscou para seus filhos. A primeira luta foi pelos estudos, não queria para eles o mesmo destino, morrer sem saber ler ou escrever. Mulher, nordestina e pobre, Dona Lindu não fugiu à regra da época: teve 12 filhos por falta de conhecimento em planejamento familiar, perdeu 4 ainda muito novinhos e devido à seca foi abandonada pelo marido que migrou em busca de emprego com outra mulher a tiracolo.

5 anos após sua partida, Aristides, o marido, volta, engravida a esposa e retorna a São Paulo levando o filho Jaime que a essa altura já sabia ler e escrever. Em uma das cartas que escrevia para o pai Jaime, por iniciativa própria, diz para a mãe e os irmãos venderem o que tinham e migrarem. Assim como milhares que nem ela Dona Lindu subiu num pau de arara e depois de 13 dias desembarca na capital paulista e segue para Santos.

A vida segue difícil e cansada da violência do marido com ela e os filhos Dona Lindu dá seu grito de liberdade e se muda com as crianças para a capital. A nordestina transforma seu destino, mostra sua força e entre os receios da vida militante de um dos filhos segue sendo uma mãe zelosa e generosa. Em 1980 morre aos 64 anos vítima de um câncer no útero em São Caetano.

Janete e Lindu, cada uma, a seu modo, vão além de seus nomes no parque à beira do mar deixando algo a nos inspirar.