Neste domingo (2), o PorAqui traz uma entrevista com a setubalense Mayara Pimentel. Aos 36 anos, ela acumula um currículo extenso na área social. Administradora de empresas por formação, deixou o universo corporativo para empreender no mundo da moda e terminou despertando para os negócios sociais. Hoje toca um projeto de vida, chamado Transformar, de incentivo ao negócio social focado na solução de problemáticas através do fomento a empreendimentos lucrativos e escaláveis. Colaboradora do PorAqui, Mayara é daquelas moradoras que andam pelo bairro prestando atenção nas pessoas e nos detalhes.

PorAqui: Como nasceu a ideia de criar o projeto Transformar?

Mayara: Eu era executiva na área de vendas em TI. Mulher, na época casada, com filhos, viajava muito e resolvi dar uma freada. Foi quando abri um negócio de confecção consciente com uma prima. Por seis anos, vivi esse empreendimentos que trouxe, sobretudo, um retorno social. Eu atuava muito com costureiras e cooperativas, o que me deu outro olhar para economia e gestão. Fui descobrindo a economia social, o terceiro setor, os negócios de impacto. Fui passar uma temporada em Portugal, onde fiz especialização em economia social. Na volta para o Brasil, fui conhecendo gente, entrando nesse mundo e percebi que o Transformar poderia ser um projeto de vida. Hoje atuo também como analista de empoderamento econômico na organização humanitária Plan International Brasil.

PorAqui: E como foi sair do campo das ideias para a ação?

Mayara: Fui me aprofundando, como todo inciante. Viajei para São Paulo, conheci as principais referências na área e me inseri no Startup Weekend Change Maker. Depois descobri o programa Guerreiros Sem Armas, do Instituto Elos, realizado em Santos (SP), com dimensão internacional. Fiz a capacitação em 2015 para agregar ainda mais ao Transformar.

PorAqui: Que desafios você encontrou pela frente?

Mayara: Inúmeros. O maior deles é comunicar o negócio social. Ainda existe muito preconceito, as pessoas acham que não se ganha dinheiro com isso. Tem muita gente nessa apenas por conta da tendência, da moda.

PorAqui: Que resultados o projeto já trouxe para você e para os outros?

Mayara: Para mim, uma mudança de vida. Para os outros, diante de alguns feedbacks, levou oportunidade de conhecer esse tipo de negócio e essa leveza que vem das mobilizações sociais. Com a ideia de fazer jogo Oásis (parte do programa Guerreiros Sem Armas) em comunidades no Recife, acredito que vamos ter um impacto numa escala maior.

PorAqui: Que dicas você daria para quem quer seguir um caminho semelhante?

Mayara: Que tentem se inspirar nos saberes que têm, cuidar de seus olhares, ser mais apreciativo, trabalhar mais a escuta, ouvir as pessoas, se conectar sem medo, falar de sonho como uma coisa utópica e celebrar tudo isso. É através do sonho que a gente consegue evoluir e dar sentido a muita coisa. Falo isso sem levar para o lado religioso, mas enquanto consciência e sensibilidade. É o exercício da empatia.

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