Essa é a última crônica do ano e já iniciei sua escrita duas vezes, mas ainda estou aqui patinando. Ensaiei falar sobre minha relação com a folha em branco, essa prancheta da alma. Sobre como comecei o ano empresário e terminei escritor. Inventando uma “jornada do herói” para chamar de minha, a perseguição de um sonho de infância. Não gostei, quem sabe eu publico esse texto outro dia.

Também iniciei outro texto que falava das dificuldades da crise política e econômica que já enfrentamos até aqui, com o intuito de despertar nosso espírito guerreiro para encararmos mais um ano que não será fácil.

Ao mesmo tempo, tentava convocar uma sabedoria necessária para viver uma eleição presidencial que mexerá com nossos medos e instintos mais primários. Achei bem clichê, esse vai pro lixo.

Um pouco de autoajuda porque nem só de Recife vive o recifense

Mas lembrei de algo que acredito ser mais interessante, no dia 31 de dezembro, quando esse texto será publicado, apesar de ter pago a inscrição, estar em São Paulo na ocasião e se tratar de uma meta traçada na infância, eu não correrei a São Silvestre.  

Ocorre que não treinei o suficiente, não segui a planilha, não persegui a meta. Abandonei no meio do caminho simplesmente porque encontrei coisas mais interessantes para fazer nesse meio tempo. Como por exemplo, escrever uma crônica semanal.

Com a meta de correr a São Silvestre também foi embora a meta de perder alguns quilos a mais e postar nas redes sociais aquela famosa foto antes e depois.

Reflexões para quem pensa em ‘dar o lavra’ de Recife

Mas ganhei algo que não dá para postar nas mídias digitais e sentir o efeito do ciclo rápido de disparo da dopamina no cérebro que os likes e coraçãozinhos geram, minha realização.

Largar essa meta no meio do caminho para substituir por outras que percebi que me fazem muito mais feliz no momento, durante esse processo chamado vida, definitivamente é algo que não vou conseguir representar bem, seja qual for a rede social. Como a maiorias das coisas essenciais e verdadeiras.   

Free 2018

Sendo assim, desejo para você em 2018 um ano livre de metas antigas. Vamos combinar que a maioria das nossas metas de virada de ano são as mesmas que nos acompanham há cinco anos e apenas receberam uma nova roupagem para parecerem novas.

Se você não as realizou até agora, elas talvez não sejam mais relevantes para você. Seja honesto consigo e desapegue! Assim como fiz com meus dois textos jogados fora no começo dessa crônica e minha corrida de São Silvestre não corrida, mas quem sabe caminhada.

Esse é meu sincero desejo para você neste ano que se inicia, um ano livre de um passado que não lhe pertence, um ano livre de metas que não se conectam mais com sua essência e um ano não de corrida, mas de caminhada! Feliz 2018!

Diego Garcez é sobretudo poeta, mas encontrou na crônica uma forma de diálogo mais palatável para o mundo das pernas aceleradas. É formado em relações internacionais, empreendedor e entusiasta do Porto Digital, corredor nas horas vagas e pai em tempo absolutamente integral. Facebook: Diego Garcez | Instagram: @garcezdiego

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