Após quase cinco anos de inaugurado, o Parque Dona Lindu, em Setúbal, Zona Sul da cidade, vai receber pela primeira vez, na Galeria Janete Costa, uma exposição dedicada à arquitetura moderna. Neste sábado (16), tem início a temporada de “Diógenes Rebouças: cidade, arquitetura e patrimônio”, em cartaz até o dia 24, com entrada franca.

Rebouças, baiano e um dos principais arquitetos modernos do Brasil, foi contemporâneo do cariocaOscar Niemeyer, maior ícone do estilo no País e responsável pelo projeto do parque. O Lindu, até então, só havia aberto espaço uma vez para uma mostra modernista, de desenhos de Niemeyer, em 2011, na ocasião da inauguração do equipamento.

A exposição contempla amplas maquetes, fotos e vídeos e integra as comemorações do centenário de Rebouças, nascido em 1914 e falecido em 1994. As 16 maquetes são o grande destaque da mostra, representando os principais projetos do arquiteto, de residências a penitenciária. Estarão também expostas reproduções de desenhos originais, fotos e vídeos, além de uma linha do tempo de quase 20 metros.

Professor, artista e grande pensador, Rebouças teve papel fundamental na construção da paisagem de Salvador e de outras cidades baianas e também na formação das novas gerações de arquitetos e urbanistas. Entre suas obras de destaque, estão a Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal da Bahia (Ufba) e o Complexo Esportivo da Fonte Nova, ambos em Salvador, além do Hotel de Paulo Afonso, no interior baiano.

Recife é a segunda parada de “Diógenes Rebouças: cidade, arquitetura e patrimônio”. Em 2015, a mostra foi vista por mais de 10 mil pessoas durante um mês no foyer do Teatro Castro Alves, em Salvador. Do Recife, a mostra volta para a Bahia e, no segundo semestre, segue para o Museu da Casa Brasileira, na capital paulista.

Rebouças costumava consultar Niemeyer em seus projetos mais importantes. Eles não eram amigos íntimos, mas tinham uma relação bastante próxima, de respeito. “O que Niemeyer representa para a arquitetura brasileira Rebouças representa para a arquitetura bahiana. Niemeyer deve estar muito feliz com a exposição no Dona Lindu, onde quer que ele esteja”, comemora Nivaldo Andrade, curador da mostra, arquiteto e professor da Faculdade de Arquitetura e do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal da Bahia.

A maior parte dos trabalhos de Rebouças foi erguida no Nordeste, mais especificamente na Bahia, em Sergipe e em Alagoas. Em Pernambuco, ele chegou a ser consultor da Fundação de Desenvolvimento da Região Metropolitana do Recife (Fidem) nos anos 1970 e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

A exposição é promovida pela Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal da Bahia e pelo Instituto de Arquitetos do Brasil – Departamento da Bahia, com apoio financeiro do Fundo de Cultura da Bahia, da Odebrecht e do Conselho de Arquitetura e Urbanismo da Bahia.

A mostra acontece paralelamente ao XI Seminário Docomomo Brasil, dedicado à arquitetura moderna e que acontece na capital de 17 a 22 deste mês. “Diógenes Rebouças é um dos grandes nomes da arquitetura brasileira do século 20”, define o coordenador geral do seminário Docomomo, Luiz Amorim.

Serviço

Diógenes Rebouças: cidade, arquitetura e patrimônio

Galeria Janete Costa – Parque Dona Lindu

De 16 a 24 de abril de 2016

Das 17h às 20h, no dia 16, e das 12h às 20h, nos demais dias

Entrada franca

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