Ao contrário do que muita gente acha, Setúbal não existe como bairro oficialmente. É uma localidade de Boa Viagem. Mas quem mora no local nutre um sentimento tão forte de pertencimento que considera Setúbal um bairro, e não se fala mais nisso.

A transformação social e econômica vivida por Setúbal nos últimos anos fortaleceu o sentimento de identidade dos moradores. Muita gente brinca dizendo que a região é, na verdade, uma república independente. E realmente é. Tem uma dinâmica própria, é diferente do restante do bairro de Boa Viagem.

Na época vereador, Wanderson Florêncio (PSDB) elaborou uma ante-projeto, neste primeiro semestre, e apresentou o pleito de elevação de Setúbal a bairro ao executivo municipal. Ele é suplente de Aline Mariano, que deixou o cargo de Secretária de Enfrentamento ao Crack e outras Drogas do Recife para concorrer à reeleição.

Questionado sobre a possibilidade, o prefeito do Recife, Geraldo Julio, afirmou ao PorAqui que defende a iniciativa e que deve levar o pleito adiante. Só não falou em prazos. “Os moradores têm essa reivindicação e a gente está estudando a possibilidade. Acho que é algo saudável. Se é de iniciativa dos moradores, mostra um sentimento de pertencimento, de cuidar do seu bairro, e eles mostram isso”, acrescenta, lembrando os eventos que estão sendo feitas na rua, organizados pelo Coletivo Setúbal.

“Isso (a oficialização) vai aumentar o sentimento de pertencimento”, disse Gerlado. “Se você não gosta do local, a cidade não te oferece nada, você não cuida dela e ela passa a te oferecer menos ainda, então acho que essa é uma iniciativa boa”, frisou.

As delimitações do bairro variam, mas, em geral, considera-se o que está abarcado entre a Avenida Barão de Souza Leão, ao Norte; Av. Armindo Moura, ao Sul; Av, Boa Viagem, a Leste; e a linha férrea do Metrorec, a Oeste. Algumas correspondências de mais de dez anos atrás colocavam o local como Setúbal, hoje é raro. As correspondências chegam em sua maioria como Boa Viagem.

O prefeito explica ainda que, tecnicamente, o caminho é simples, basta uma regulamentação através de decreto. Porém, é importante ressaltar que refazer uma divisão político-administrativa significa também mudar os cadastros de IPTU, dos Correios, da Compesa, da Celpe, entre outros, o que pode levar tempo até que a teoria transforme-se em prática.

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