De repente, bem na hora da novela, um susto: um morcego entra em seu apartamento num voo rasante, come parte de suas frutas e sai. E no outro dia vem de novo e no outro e no outro… São muitos os relatos de invasão de morcegos em Setúbal, desde casas até apartamentos em andares altos.

O medo e as dúvidas são muitas, por isso, o PorAqui conversou com o biólogo e gestor ambiental André Maia. Segundo ele, morcegos-vampiros não são lenda e existem no nosso país, mas sua preferência são animais herbívoros, que se alimentam exclusivamente de vegetais. Esses morcegos, que transmitem a raiva, são da espécie Desmodus rotundus e são mais encontrados em cavernas, ocos de árvores, minas e casas abandonadas, então Setúbal não se encaixa como local ideal de moradia pra eles, mas não custa ficar atento.

A raiva é uma zoonose, uma doença animal transmissível ao homem. Não tem cura, pois destrói as células nervosas provocando um desequilíbrio corporal. Há quatro casos no mundo inteiro de sobrevivência de humanos infectados pelo vírus da raiva, um em Recife, inclusive. Antes que vocês saiam por aí caçando morcegos, saibam que eles não são os únicos transmissores: cães, gatos e macacos também podem transmitir a doença.

 

Anota as dicas!

Não precisa ter medo de morcego, mas é prudente evitar o contato direto e manter os animais domésticos com as vacinas em dia. Uma segunda dica de prevenção é iluminar locais externos, como varandas, jardins e quintal, pois é verdade que morcegos (assim como os vampiros!) não gostam de luz. Telas também evitam a passagem do animal. À noite, devem ser retirados bebedouros usados para atrair beija-flores e outros pássaros.

O maior motivo para morcegos invadirem casas e apartamentos é a fome. A grande maioria das espécies se alimenta de frutas e, como já não há tanta oferta de árvores com flores e frutos, eles voam até a fruteira da cozinha. Por isso, as frutas devem ser guardadas em locais fechados ou na geladeira.

Mas é preciso refletir sobre as ações do homem no meio ambiente. O avanço da construção civil, por exemplo, acaba eliminando o habitat natural dos animais silvestres e faz com eles procurem comida e abrigo em nossos lares.

Em tempo, não existe um órgão de controle específico no Estado para tratar dos morcegos, contudo dá para tirar dúvidas com o Centro de Vigilância Ambiental (CVA) e os Centros de Controle de Zoonoses (CCZ).

Serviço:

Centro de Vigilância Ambiental (081) 3355-7704 ou (081) 3355-7705
Centros de Controle de Zoonoses (81) 3241-4183 e (081) 3241-5652