Colaboração de Alberto Moreira*

Basta um rápido passeio pelas ruas do bairro, com o olhar levemente voltado para cima para que qualquer um logo constate nossa realidade: como estão mal tratadas as árvores das ruas do Recife. Em Setúbal não é diferente. O descaso com a arborização urbana é gritante. 

Na maioria dos casos, a culpa é da companhia distribuidora de energia elétrica, que, na sua constate luta contra o natural crescimento das plantas, não observa critérios de poda, mas vai cortando tudo o que julga uma ameaça para a rede de distribuição elétrica. 

E tem razão. Certamente não foi ela a responsável pelo plantio de exemplares que crescem demais pondo em risco a segurança do abastecimento. Com isso, árvores de maior porte adquirem aspectos assustadores com a copa pendendo para um lado só ou até mesmo sem copa nenhuma, como se folhas e galhos fossem apenas um item decorativo. 

O som da motosserra traz calafrios, pois nunca se sabe qual é o ponto certo de parar a tosquia dando ainda alguma chance de sobrevivência à pobre planta. 

Problema urbano em Setúbal? O PorAqui também é um canal de denúncias

Ainda há aqueles que se acham donos do bem público e, por conta própria, em alguns minutos, derrubam o que a natureza levou vários anos para construir. São os podadores de fim de semana, que veem na agressão às árvores a sua principal ocupação domingueira.

Pobre arborização urbana! Estão transformando suas plantas em verdadeiros bonsais disformes, irrecuperáveis. A desequilíbrio é tamanho, que muitas árvores não resistem e caem com qualquer vento ou chuva puxadas pelo peso da copa que foi deixada de um lado só.

Precisamos mudar a mentalidade de que árvores são brutamontes que frequentemente racham nossas calçadas. Elas vão muito além do aspecto estético que agrada nossa visão de paisagem urbana. As árvores contribuem muito para a redução dos ruídos das grandes cidades, amenizam o seu clima mitigando os bolsões de altas temperaturas. 

Impedem que a força da chuva destrua o solo causando queda de barreiras, aumentam a umidade do ar, filtram o ar retirando os poluentes e a poeira comuns nos centros urbanos e, é claro, ainda produzem gratuitamente o oxigênio que respiramos.

Soluções existem: o ideal seria embutir toda a fiação elétrica evitando acidentes de diversas naturezas e interrupções na distribuição. Não plantar embaixo da fiação elétrica árvores que alcançam grande porte e conduzir podas mais criteriosas supervisionadas por um técnico. 

Podemos também fazer nossa parte plantando uma árvore ou pelo menos ajudando a preservar aquelas que heroicamente resistem nesse ambiente hostil em que estamos transformando nossa cidade.

*Alberto Moreira é morador de Setúbal e colaborador do PorAqui. É engenheiro florestal e foi vice-presidente da Associação Amigos do Parque, que defendeu a manutenção da área verde no terreno do Parque Dona Lindu na época da construção.

O conteúdo das colaborações não reflete necessariamente a opinião dos editores desta plataforma.

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