Das 6h às 9h e das 17h às 20h. Esses são os horários de maior incidência da criminalidade contra o patrimônio em Setúbal (o que inclui roubo de pertences pessoais, como celular, carro e bolsa). Depois das 21h, são os estabelecimentos comerciais as maiores
vítimas, com arrombamentos frequentes. Mães com crianças têm sido vítimas em potencial. Muitos assaltantes têm portado armas de brinquedo (simulacros). Esses são alguns dos resultados de um levantamento sobre crimes no bairro, feito por um grupo de
vizinhos, por conta própria.

Boa parte dos casos de assaltos têm acontecido entre as ruas Augusto Lins e Silva e Barão de Souza Leão e entre as ruas Setúbal e 20 de Julho. O material será entregue à polícia nos próximos dias, na tentativa de melhor alocar as viaturas que fazem o
patrulhamento no bairro e tentar conseguir motos para o reforço.

Os administradores do grupo de WhatsApp Policiamento de Setúbal apresentaram, nesta segunda (5) à
noite, esse breve diagnóstico da criminalidade contra o patrimônio no bairro. O encontro aconteceu na R. Copacabana, na Igreja Adventista, que cedeu o espaço. Foram os próprios participantes do grupo que solicitaram o encontro presencial, mas, no
dia, infelizmente, pouca gente compareceu.

O pequeno grupo de vizinhos tem feito um trabalho incansável de levantamento e organização de dados. Por conta própria e com bagagem de conhecimento no assunto por interesse ou uso profissional, Paula Rúbia, Lucilo de Andrade Lima Neto, Jéssica Vasconcelos
e Adriana Duarte têm dedicado boa parte dos últimos meses a construir um perfil e um mapa dos crimes. Esse tipo de dado não existe dentro do Estado porque Setúbal é uma localidade de Boa Viagem, e não um bairro oficialmente. O resultado é, naturalmente,
fruto de uma amostragem. É um levantamento primário dos fatos.

O grupo também contatou que muitos roubos de celular acontecem quando as pessoas percorrem distâncias curtas dentro do bairro ou estão passeando com o cachorro. Já os roubos de carro têm acontecido quando as pessoas estão paradas dentro do carro
aguardando alguém na rua. 

O problema é que hoje a PM trabalha numa situação bastante apertada. Com a criminalidade em alta na periferia, os batalhões, sem viaturas e homens suficientes, estão mais concentrados no combate  ao crescimento de homicídios. As delegacias, por outro
lado, estão congestionadas e muitos suspeitos, incluindo os pegos em flagrante, têm sido liberados nas audiências de custódia. 

Principais resultados numéricos

65,3% dos casos de arrombamento comercial não foram notificados

Quase 75% das vítimas foram abordadas quando estavam a pé

A maior parte dos abordantes estavam a pé ou de moto (mais de 50%)

Mais de 80% dos abordantes aparentavam portar 
arma de fogo

Quase 75% das abordagens foram feitas por mais de uma pessoa

Cerca de 60% das vítimas registraram BO

O grupo do WhatsApp, usado apenas para ocorrências e que não aceita conversar paralelas, tem hoje cerca de 250 pessoas (o limite do app são 256 membros) – além dos moradores, de várias partes do bairro, estão presentes o subcomando e os homens que integram
as viaturas que rodam pela área. 

É através das informações que circulam no app de conversas que a polícia tem conseguido acompanhar mais de perto e em tempo real casos de crimes e movimentações suspeitas. Antes de aderir ao grupo, é preciso preencher um pequeno formulário (com nome,
endereço, contato) e a pesquisa sobre crimes contra o patrimônio (que engloba roubos, furtos, arrombamentos). 

É daí que vêm as informações coletadas para o diagnóstico. Na sistematização, apenas um nome do integrante e um número gerado são divulgados. Então não é preciso se preocupar com o repasse de informações individuais.

Confira o material completo: BREVE DIAGNOTICO.pdf

O que diz a Polícia Militar

O 19º Batalhão da Polícia Militar de Pernambuco argumenta que já colocou o máximo de viaturas disponíveis em Setúbal. Mas isso significa apenas uma viatura fixa (ordinária) por turno. O bairro conta também, assim como todo o Estado, com os PJes: Programa
de Jornada Extra de Segurança, que permite, a cada policial militar, fazer 10 cotas de hora extra por mês, ganhando R$ 120 por turno. Além disso, há outros apoios, a exemplo dos homens a pé (bonés laranjas) e do Gati.

“As informações da comunidade têm sido preciosas. São eles que têm nos ajudado a fazer o serviço de monitoramento e investigação, já que a polícia não tem como estar em todos os locais 24h por dia”, comenta o subcomandante. Matos destaca que o que os
moradores vêm fazendo em Setúbal é um case que se destaca, uma iniciativa inédita no Recife quando o assunto é uso de grupos de WhatsApp com a PM.  

Próximos passos

“Aos poucos, estamos tentando aprimorar o funcionamento do grupo do WhasApp e das pesquisas”, Lucilo. Por exemplo, os administradores querem coletar mais dados sobre casos de arrombamento, que passaram a assustar o bairro recentemente. Para isso, está
sendo estudada a possibilidade de criação de um grupo no WhatsApp apenas com os comerciantes, na intenção de acompanhar melhor as ocorrências e demandas. 

Os administradores também têm feito contato com setores da Prefeitura do Recife para tentar melhorar a iluminação no bairro e a poda de árvores, para deixar o ambiente mais claro e aumentar a visibilidade. Algumas ruas de Setúbal são bastante escuras.
A população comenta que às vezes é até difícil distinguir, na escuridão, uma pessoa, uma vegetação um amontoado de lixo e entulho. Recentemente a Emlurb reforçou a iluminação, com LED, mas apenas no corredor principal da Av. Visconde de Jequitinhonha,
além de ter revitalizado parte da iluminação do Parque Dona Lindu.

Leia também: Saiba quando e como registrar um Boletim de Ocorrência pela internet

Confira mais informações da cobertura do encontro ao logo desta semana no PorAqui

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