Por Marcos Oliveira, do NE10

Este tema  sempre causa embates na Câmara dos Vereadores do Recife e apresenta-se mais uma vez na agenda da cidade, agora com a 15ª Parada da Diversidade, que acontece neste domingo (18). Mas não são só os vereadores que são instados ao debate. Em pela disputa pela prefeitura, os candidatos também precisam posicionar-se quanto aos programas que poderão implementar em atenção à população LGBT, na região mais perigosa para esse público no País.

A Av. Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, com concentração a partir das 9h no Parque Dona Lindu, será o palco da Parada. O evento é organizado pelo Fórum LGBT de Pernambuco e, este ano, tem como mote #VocêNãoEstáSó: Em nossa família, liberdade é direito

Em um Congresso Nacional que comumente defende a entidade familiar apenas como sendo constituída a partir da relação entre um homem e uma mulher, o coordenador do evento, Thiago Rocha, afirma que a ideia é justamente mostrar que esse sentido precisa ser muito mais amplo. "Nós somos uma família, nós constituímos família assim como todas as outras ditas tradicionais. Vamos mostrar isso em um evento bonito e, ao mesmo tempo, de luta pelos nossos direitos. Não queremos regalias, privilégios, apenas nossos direitos", comenta Thiago.

De acordo com o Grupo Gay da Bahia (GGB), entidade que faz um levantamento anual dos assassinatos de LGBTs no Brasil, foram 313 casos de homicídios registrados em 2013; 327 em 2014; e 318 em 2015. Em 2016, estima-se que, nos seis primeiros meses, foram pelo menos 123 casos. 

O País é campeão mundial de crimes, assim como Pernambuco, embora apresente redução nos números, liderando, há mais de uma década, o ranking brasileiro.  A região Nordeste concentra 43% das mortes. Na sequência, vem Sudeste e Sul, com 35%, e Norte e Centro Oeste, com 21%. A média é de uma morte a cada 28 horas no País.

No entanto, esses números podem ser apenas uma fração do total. É o que pontua o promotor de Justiça de Defesa dos Direitos Humanos da Capital, Maxwell Vignoli. "O Brasil ainda não possui uma lei que considere uma morte ou crime causado por homofobia. O que termina acontecendo na prática é que acaba ficando para cada juiz essa definição", afirmou.

PRISCILA KRAUSE (DEM)

Sobre a quantidade de mortes LGBT, ações e como pretende atuar caso assuma o Palácio Capibaribe, Priscila Krause apontou que é preciso criar uma "afirmação da cidadania" na cidade.  "Temos  que ver a pluralidade que existe na sociedade. O papel de um gestor é arbitrar os interesses. A gente precisa criar uma cultura de tolerância e de paz na cidade. Existe um dado objetivo: morrem muito mais pessoas LGBT na cidade do Recife", afirmou.  

EDILSON SILVA (PSOL)

Deputado atuante na defesa da causa LGBT e candidato à Prefeitura do Recife, Edilson Silva – inclusive com a primeira assessora trans da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) – elenca uma série de ações voltadas ao público em seu programa de governo. Dentre elas, o psolista pretende "incentivar e fortalecer articulação de rede multisetorial transparente de apoio à população LGBTI, enfrentamento à LGBTIfobia e educação social composta por movimentos sociais, sindicatos, educação, ONGs, profissionais da educação, saúde e assistência social, entidades estudantis, conselheiros tutelares e demais representantes da sociedade civil de órgãos gestores preocupados em, através da educação, combater  as opressões e, principalmente, a LGBTIfobia."

JOÃO PAULO (PT)

Já João Paulo, que tenta voltar à prefeitura, enviou várias iniciativas que pretende desenvolver – aqui serão citadas algumas. "Estabelecer parcerias junto a instituições de ensino profissionalizante, público e privado, Sistema S (SESI, SESC, SENAI), para a formação profissional voltada ao segmentos LGBT, considerando sua especificidades, em especial a população T (travestis e transexuais)", diz uma parte do documento enviado pela assessoria. Ele ainda pretende promover "a institucionalização da política através do fortalecimento do Grupo de Trabalho em Orientação Sexual (GTOS) da educação."

DANIEL COELHO (PSDB)

Daniel Coelho é outro postulante que levanta a bandeira da causa há anos e comumente participa das Paradas da Diversidade. O tucano observa um retrocesso na área e defende que "uma política voltada para os LGBTs não significa excluir as demais parcelas da população, mas que não atuar neste sentido acaba por excluí-los", afirma, antes de concluir que o respeito deve ser para todos.

CARLOS AUGUSTO (PV)

O candidato Carlos Augusto pretende implantar pelo menos três medidas voltadas para o atendimento à população LGBT: "Um  observatório para monitorar o desrespeito e a violência praticados contra segmento, cuja realidade ditará a elaboração de políticas públicas. Quer também a "instalação de casas de acolhimento e facilitar o uso do nome social para pessoas trans, assim como criar cursos de capacitação que facilitem a inclusão" no mercado de trabalho daqueles que vivem nas ruas, muitas vezes no mercado do sexo.

NÃO RESPONDERAM

As assessorias dos candidatos Geraldo Julio (PSB), Simone Fontana (PSTU) e Pantaleão (PCO) foram procuradas por três dias, mas não retornaram com (se tiverem) as propostas dos candidatos.

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