Muita gente ainda pensa que comprar produtos orgânicos pesa mais no bolso. Um mito. Uma pesquisa realizada por estudantes do curso de Gestão Ambiental do Instituto Federal de Pernambuco (IFPE), no período de 13 a 20 de junho de 2015, mostra que, comprando em feiras agroecológicas, é possível economizar até 70%.

Neste domingo (15), acontece a I Feira Agroecológica de Setúbal. Será no dia 15 de maio, um domingo, das 8h às 14h, atrás da Escola Americana do Recife, na Av. Mal. Juarez Távora, às margens do Canal Jordão.

O tomate cereja, por exemplo, foi encontrado por um preço 218% maior que nas feiras da rede e 312% mais caro nas grandes redes de supermercados do que nas feiras agroecológicas pesquisadas. A agricultura familiar é responsável por 70% da alimentação da sociedade brasileira.

O levantamento abarcou o preço de 20 itens, entre frutas, legumes, folhagens, raízes e processados, e comparou as feiras da Rede Espaço Agroecológico, três grandes supermercados e três feiras livres de alimentos convencionais da Região Metropolitana do Recife (em Casa Amarela, no Ibura e em Rio Doce). A pesquisa foi feita por Ana Letícia Veras, Jessica Pereira e Gleyciane Ferreira em parceria com o Centro Sabiá.

O resultado, no entanto, não quer dizer que as feiras agroecológicas sejam acessíveis. Elas ainda são pouco disponíveis para a população em geral, principalmente nas periferias, e acontecem em horários não comerciais. “Sabemos que essa é uma cidade que tem vários problemas de mobilidade urbana. A classe trabalhadora não acessa essas feiras,” observa o assessor de comercialização do Centro Sabiá Davi Fantuzzi.

Outra questão relevante é que os próprios agricultores e agricultoras também enfrentam problemas para manter as feiras agroecológicas. Falta infraestrutura, transporte das barracas, mobilidade para circulação dos veículos dentro da cidade.

Para Davi, a principal estratégia para o aumento do acesso está no incentivo e apoio do poder público para que esses trabalhadores e trabalhadoras consigam descentralizar e diversificar os pontos. “O principal seria o poder público passar a entender as feiras como equipamentos públicos de abastecimento alimentar e apoiar a sua criação e descentralização,” afirma.

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