Sugestão de Daniel Uchôa*

Na esquina das ruas Sá e Souza e Mário Souto Maior, fica o ponto de táxi de Seu Buda, figura histórica de Setúbal. Trabalhando na região desde 1982, ele carrega consigo um bairro de 35 anos anos atrás, quando começou a rodar com seu primeiro carro, um fusca 80, cor de creme.

Setúbal era um resto de Boa Viagem, um trecho ocupado em sua maior parte por casas e sem muito comércio local. Seu Buda acompanhou todo o desenvolvimento da localidade do ponto de vista privilegiado de quem circula no bairro o tempo todo.

Ele está aqui pelo bairro desde antes de Setúbal ser Setúbal. “Quem queria chegar por aqui dizia que ia ali pra depois de Boa Viagem ou então pra ali logo antes de Piedade”, lembra.

Rindo, o motorista lembra de histórias engraçadas do ofício, como a do casal que ia para uma festa de Carnaval em 1992. “Eles precisavam se trocar ainda, no banco de trás. E me pediram pra não olhar. Eu fiquei com o olho no trânsito”.

Outra história peculiar chegou ao ouvido de Buda por um de seus colegas. Havia um casal morador do bairro que costumava pagar a corrida de táxi, ir até um local e pedir para o motorista sair do carro, deixando o ambiente livre para o casal, com o taxímetro devidamente ligado, claro, fazendo as vias de contador de motel.

A diferença entre o hoje e o ontem do bairro que mais destaca na memória de Seu Buda é a segurança. Ele diz que antigamente as pessoas todas do bairro conheciam-se, ajudavam-se e davam segurança umas às outras. “Hoje em dia o bairro cresceu, mas cresceu também a insegurança. E, com os postes por aqui tão fracos, fica ainda mais inseguro à noite. O que a gente precisa buscar, antes de tudo, é a iluminação”, diz Buda.

*Daniel Uchôa é sociólogo, empreendedor do bairro e um dos criadores do Coletivo Setubalize.

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