Por Suzana Souza, do PorAqui

Em uma tarde quente recifense, Lu Rabelo me recebeu de portas abertas em sua casa. Senti logo o cheiro de incenso que arrisco dizer que era de canela. Fulô, sua gatinha e neta, estava bem calma deitada no sofá aproveitando o vento que vinha da varanda.

O ambiente estava tranquilo da janela pra dentro, já que o frenesi dos carros passando pela Av. Visconde de Jequitinhonha não cessava. “O barulho incomoda, mas viver perto da praia não tem preço. A praia de Boa Viagem é o meu refúgio, é pra onde eu corro quando algo acontece”, diz Lu.

Luciana Rabelo é mulher, jornalista, arteterapeuta, cantadeira, cordelista, ativista no bairro, mãe de dois filhos e escritora. Uma mulher com várias facetas que convergem em uma só: “Há alguns dias eu tive um insight de entender o fio condutor de tudo que eu faço. É tudo comunicação. Tudo que faço é tentando me comunicar e me expressar das mais diferentes formas”.

Na carreira como jornalista, Lu trabalhou como assessora de imprensa até jogar tudo pra cima e virar voluntária em uma TV comunitária. Daí pra frente se envolveu mais na questão da comunicação pública, fazendo parte de projetos como a Oi Kabum.

“Teve uma época em que eu tentei começar a entender qual era minha missão no mundo. Eu tinha a palavra ‘cura’ bem forte na minha cabeça, mas ainda não tinha entendido o que aquilo significava. O caminho até a arteterapia foi muito natural. E a criação do Flores no Ar se deu logo em seguida”, rememora.

Dia 26 de setembro de 2009, dia do aniversário de Lu, nascia o Portal Flores no Ar. Ali ela encontrou sua forma de curar outras pessoas. Hoje, o Flores no Ar é o maior portal sobre terapias holísticas do Nordeste e recebe cerca de 2 mil acessos diários.

Foi com o portal também que Lu começou a se envolver mais com o bairro de Setúbal. “Tinha a ideia de trazer uma feira de orgânicos pra perto de casa. Com a minha aproximação do Coletivo Setúbal, conheci Etiane Lisboa e Joanna Lessa, professora da UFRPE. Nós três unimos nossos contatos e conseguimos”, comemora.

Em maio deste ano, a Feira Agroecológica de Setúbal completa seu primeiro ano de existência.

Em paralelo a tudo isso, sua veia artística ia pulsando. De São José do Egito e do vilarejo de Mirandiba, Lu resgatou suas raízes. Seus pais são do Sertão do Pajeú e lá o contato com a arte regional ficou forte. Em parceria com sua comadre, Anaíra Mahin, formou a dupla cordelista As Cumade. Juntas, elas já ganharam prêmios e lançaram um compilado de quatro cordéis em 2015.

“Foi na música que eu me encontrei. Eu entendi que todos os caminhos me levaram até onde estou hoje. Uma vez eu ouvi no rádio alguém falando que era cantador porque cantava as emoções. Depois desse dia, comecei a me chamar de cantadeira”, diz a artista.

Lu se prepara para lançar seu primeiro disco de canções autorais e já faz shows desde 2014 pelo Recife.

Nossa conversa, regada a suco de seriguela comprada na Feira Agroecológica de Setúbal, foi no dia 21 de março, primeiro dia de áries no calendário astrológico. Segundo Lu, um dia de mudança. Em mim, a mudança aconteceu.

Eu, Suzana Souza, repórter estagiária do PorAqui, me encantei mais uma vez com a profissão que quero seguir. Entrar na casa de alguém, respirar do mesmo local tão íntimo e poder contar uma história como esta é uma dádiva.


O jornal de bairro evoluiu. No PorAqui, você encontra estações de conteúdo hiperlocal e colaborativo.

Para baixar o app: Android e iOS

Sugestões e colaborações: setubal@poraqui.news ou (81) 98173-9108 (WhatsApp)