Na esquina das ruas Sá e Souza e Mário Souto Maior, fica o ponto de táxi de Seu Buda, figura histórica do bairro de Setúbal, Zona Sul do Recife. Trabalhando na região desde 1982, ele carrega consigo um bairro de 37 anos anos atrás, quando começou a rodar com seu primeiro carro, um fusquinha 80 com rodas cromadas e cor de creme.

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Na época, Setúbal era só um resto de Boa Viagem, um trecho ocupado em sua maior parte por casas em grandes terrenos e sem muito comércio local. É aquele Setúbal que nossos pais e avós contam, com gente andando descalço na rua em direção à praia.

Seu Buda acompanhou todo o desenvolvimento da localidade do ponto de vista privilegiado de quem circula no bairro o tempo todo e vê as pequenas e grandes mudanças tomando conta.

(Foto: Suzana Souza/PorAqui)

O Buda de Setúbal

O apelido nasceu da forma física do taxista mesmo: “todo mundo ficava mangando de mim, dizendo que eu parecia com o Buda. Isso desde que eu sou novo, com uns 20 e poucos anos. Nunca liguei até que comecei a me apresentar como Buda mesmo”, comenta.

Ele está por aqui desde antes de Setúbal ser Setúbal: “Quem queria chegar por aqui dizia que ia ali pra depois de Boa Viagem ou então pra ali logo antes de Piedade”, lembra o taxista. Rindo, o motorista lembra de histórias engraçadas do ofício, como a do casal que ia para uma festa de Carnaval em 1992. “Eles precisavam se trocar ainda, no banco de trás. E me pediram pra não olhar. Eu fiquei com o olho no trânsito”.

(Foto: Suzana Souza/PorAqui)

Outra história um tanto quanto peculiar já aconteceu com Seu Buda. Havia um casal morador do bairro que costumava pagar a corrida de táxi, ir até um local lá pro lado de Piedade e pedir para o motorista sair do carro, deixando o ambiente livre para o casal. Isso, é claro, com o taxímetro devidamente ligado fazendo as vias de contador de motel.

(Foto: Suzana Souza/PorAqui)

Seu Buda mora na comunidade do Pilar, ali nos limites entre Setúbal e Piedade. Quando questionado sobre as diferenças entre o bairro há 35 anos e hoje, ele destaca acima de tudo a segurança.

O taxista diz que antigamente as pessoas todas do bairro conheciam-se, ajudavam-se e davam segurança umas às outras. “Hoje em dia o bairro cresceu, mas cresceu também a insegurança. E, com os postes por aqui tão fracos, fica ainda mais inseguro à noite. O que a gente precisa buscar, antes de tudo, é a iluminação”, diz Buda fazendo um trocadilho com a palavra do Buda original, mestre do budismo.

Quem quiser encontrar com seu Buda e pegar uma corrida, é só chegar no ponto de táxi, entre a Sá e Souza e a Mário Souto Maior, geralmente entre às 10h e às 17h, e perguntar pela figura ilustre.