Vôlei: quase uma cachaça… Basta perguntar a um dos atletas o que significa o Vôlei do Oscar na vida deles, que, com certeza, eles vão responder que é um vício, na linguagem popular, quase como uma cachaça. Uma unanimidade assim se comprova ao ver a animação que esse grupo chega às 5h30 da manhã na praia de Setúbal, ali próximo ao Parque Dona Lindu.

Com roupa de praia, sorriso no rosto e muita disposição, eles chegam pra bater uma peladinha de vôlei que, normalmente, se estende até umas 8h. Faixa etária? Bem heterogênea: dos 30 aos quase 80 anos.

O decano desse grupo é Oscar, o mesmo que dá nome ao grupo, aos 78 anos. E pensa que ele é café com leite? Até hoje ainda dá uns bons peixinhos… Ele foi um dos fundadores, junto com Roberto Didier, Roberto Bezerra e Edvalte Ribeiro, que até hoje ainda estão na ativa.

Desde os anos 1980

O administrador Edvalte, hoje com 72 anos, lembra bem como tudo começou. Lá pelos anos 1980, numa outra quadra, cada um ajudou com o que podia: um trouxe a bola, o outro a rede, outro a marcação da quadra… Coube a Edvalte colocar um anúncio grande no Diario de Pernambuco convidando novos atletas a participarem do jogo.

“Surtiu o maior efeito. No dia seguinte, a quadra estava tomada de gente. Pessoas que não tinham nenhuma intimidade com o esporte, e outras que já praticavam”, recorda Edvalte. A verdade é que umas ficaram, e outras se perderam no meio do caminho. Mas quem ficou admite: o grupo tem o maior astral.

Banho de mar e coco gelado

O administrador Daniel Queiroz é um que não sabe o que é melhor: se o vôlei, o banho de mar após o jogo, o coco de Eriberto (dono da barraca de coco colado com a quadra) ou as “resenhas” durante a partida.

O aposentado João Dantas é outro das antigas. Está afastado pelo Departamento Médico – acabou de fazer uma cirurgia, mas aguarda ansiosamente o dia da volta. Ele assume: “O grupo é realmente bem eclético, tem de desembargador a desempregado… Mas ali, nas areias de Setúbal, somos verdadeiramente iguais”.

O desembargador Humberto Vasconcelos assumiu recentemente a função em Caruaru. Um cargo melhor e com mais responsabilidade. Mas quando soube que ia ter que mudar de cidade, lamentou o fato de ficar distante dessa turminha. E quem disse que ele aguentou? Todas as semanas, arranja uma desculpa, pelos menos por dois dias, pra dormir no Recife e participar do vôlei.

Vôlei e festa

E na última sexta-feira do mês, tem festinha. É a comemoração dos aniversariantes do mês. O último, de setembro, foi do empresário Fábio Falcão. A partida é interrompida pra um café da manhã digno de atleta.

A família do Oscar não deixa essas datas passar em branco. Carnaval, Páscoa, São João, Natal… sempre são lembradas na praia com uma comemoraçãozinha e campeonatos de vôlei. E, pra organizar esses eventos, eles nomearam RP (relações públicas) do grupo a única mulher: Paula Delgado.

Ela participa do vôlei desde que se casou e foi morar em Boa Viagem, há 11 anos. De lá pra cá, já teve três filhos, e nas três gestações nunca deixou de jogar. “Nesta última gravidez, em 2015, joguei até os 8 meses. Minha médica dizia: enquanto você estiver se sentindo bem, pode jogar à vontade. Aos 8 meses, realmente, a barriga estava pesada demais, aí dei um tempinho. Mas quando Liz completou 1 mês de vida, lá estava eu de volta pra areia”, lembra Paula, que também tem o vôlei como um vício.

Quer participar?

E o mais legal de tudo é que essa “família” continua aberta pra novos integrantes. E, se no início, na década de 1980, foi preciso colocar um anúncio no jornal pra chamar mais adeptos, agora, com a tecnologia, o convite vai PorAqui mesmo: quem gostar de vôlei e estiver interessado em praticar exercícios na praia, na companhia de um astral lá em cima, é só aparecer. De segunda a sexta-feira, na quadra em frente à Rua Baltazar Passos, a partir das 5h30. Eles garantem: todos são sempre bem-vindos!