Por Mayara Pimentel*

Nunca se falou tanto em sustentabilidade do planeta como nos últimos anos. É uma temática quase que cotidiana, diretamente e indiretamente ligada a outras diversas discussões que envolvem estudos ambientais, sociais e da economia. Em toda essa complexa discussão, encontramos dois grandes protagonistas: o voluntário e o ativista. Surge, na união desse protagonismo, o ideal comportamental do futuro, o voluntivismo.

Segundo as Nações Unidas, voluntário é o jovem, adulto ou idoso que, devido ao seu interesse pessoal e seu espírito cívico, dedica parte de seu tempo, sem remuneração a diversas formas de atividade do bem-estar social. Já o ativismo é conceituado enquanto qualquer doutrina ou argumentação que privilegie a prática efetiva de transformação da realidade em perda de uma atividade, subordinando a geração de verdade e de valor ao sucesso ou pelo menos a possibilidade de êxito na ação.

Analisando suas práticas, há muitos rótulos intitulados nesses protagonistas que revelam uma variedade comportamental. O voluntariado, por exemplo, é rotulado por muitos como algo inconcebível, trabalhar sem remuneração. Já o ativismo envolve assumidas formas violentas, como, por exemplo, invasões, e, em casos extremos, guerras civis e o terrorismo.

Desmistificar essas práticas envolve vivenciar ambas na sua melhor versão, pois estão diretamente ligadas ao benefício da sociedade, produzem contribuições econômicas e sociais e constroem comunidades unidas através da confiança e da reciprocidade das pessoas, trazem paz.

Entende-se que podemos lutar por uma causa, de forma continuada, visando uma mudança social pensando nesse coletivo que vivemos. Só as boas práticas podem transformar e, quando alimentamos isso com a tecnologia, desenhamos um futuro com escala, com mudança.

O voluntivismo é um termo novo e chega como um movimento, como uma tendência comportamental do futuro. Quando voltamos a refletir no cotidiano das discussões de sustentabilidade, idealizamos essa perfeita união de protagonistas numa era digital enquanto comportamento cívico, como esperança e solução de muitos de nossos desafios do desenvolvimento sustentável do planeta.

Esse conceito pode ser construído quando paramos para desenhar estratégias do futuro e, para isso, é preciso saber como encarar o futuro. Algumas pessoas acreditam em mudanças que chegam por fatores externos, pois o futuro, para essas pessoas, é algo provável e é evidente que algo vai acontecer. Mas muitos pensam no futuro de forma diferente, acreditam no desejável, no inexplorado e que, com criatividade e comportamento de se pôr em ação (fazer já), podemos moldá-lo com ideias, conceitos e realidades.

Para o voluntivista, o mais importante não é idealizar o futuro e, sim, trazê-lo para o presente, para a discussão. Um belo exemplo é um morador do bairro de Setúbal, na cidade do Recife, que, há 12 anos, planta mudas no Canal de Setúbal e hoje os moradores são agraciados pelas sombras.

Esse movimento voluntivista assemelha-se muito a um movimento do mundo tecnológico, o dos makers, que tem despertado muitos jovens a experimentarem tecnologias emergentes com resultados exponenciais. Essas tecnologias estão sempre a projetar, como os voluntivistas, serviços a partir das necessidades das pessoas numa perspectiva de escala, de mudança.

A ressignificação do voluntário numa era de movimentos digitais caracteriza o voluntivista e o seu novo espaço de ativismo social – o cyber espaço. As ações de voluntivistas aumentam a participação das pessoas devido às redes sociais. Eles também acreditam que partilhar conteúdos nas redes é bem mais eficaz do que protestar, nessa realidade em que a tendência incentiva a solidariedade através da troca (voluntariado), da causa (ativismo) e da mobilização (tecnologia digital).

Essa nova faceta do voluntariado promete bem-estar social, dedicação, transformação de realidade e ação vigorosa. Já estamos conectados nessa macrotendência, e você? #vemjunto.

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*Mayara Pimentel é graduada em administração de empresas, com experiência em desenvolvimento de projetos, articulação, mobilização e facilitação de grupos como relevantes nos últimos oito anos através de seu empreendimento na moda consciente, quando despertou para o universo dos negócios sociais. Apaixonada por desenvolvimento local, especializou-se em economia social na Universidade de Coimbra, em Portugal, e é mestranda na Universidade de Pernambuco (UPE) em Gestão do Desenvolvimento Local Sustentável (GDLS). Hoje atua como consultora, mentora e instrutora em seu lifeproject Transformar – Negócios Sociais, um projeto de incentivo e disseminação do empreendedorismo social no Nordeste brasileiro. Atua também como analista de empoderamento econômico na Organização Humanitária Plan International, no projeto Jovens Construindo o Futuro, em prol do emprego juvenil. Guerreira Sem Armas 2015, fomenta a tecnologia social Oasis na Região Metropolitana do Recife.