Por Natália Dantas, do PorAqui

O Carnaval passou e, depois disso, todo mundo fica meio parado esperando o São João em junho, certo? Errado.    Faltam 22 dias para o mês de junho, 46 dias para a festa do santo mas, na Várzea, o Forró do Buraco do Cabelo já tá puxando o fole tem tempo.

Toda sexta-feira (ou quase) às 20h, na Rua da Feira (Azeredo Coutinho), a Barbearia de Dudu do Corte se transforma: cadeira e navalha são guardadas e dão lugar a um palco improvisado, luzes e equipamento de som. Com tudo pronto, tá na hora de começar o forró.

“Com a minha criatividade de maloqueiro, eu disse ‘Poxa, tem o Buraco da Gia, em Goiana, tem o Buraco da Véia, em Brasília Teimosa, ‘vamo’ fazer o Forró do Buraco do Cabelo!’. A intenção com o nome era dizer que era um lugar apertado – uma invasão na calçada, numa barbearia, de madeira, como se fosse um buraco. O buraco do cabelo”, explica Roberto Henrique Campos Pessoa, o famoso Betão.

Organizado pelos amigos Betão, Binho, Dudu do Corte e Pato – e quem mais aparecer pra ajudar –, o Forró do Buraco do Cabelo, criado há dois anos, já é programação certa nas noites de sexta-feira do bairro e transforma a rua em salão de festa.

“No começo, Dudu não gostou do nome, ele pensou que eu tava falando que a barbearia dele era um buraco de forma pejorativa. Mas deu tão certo, gerou tanta curiosidade nas pessoas que acabou pegando. As pessoas gostam muito e os comerciantes da região também”, comemora Betão.

A música fica por conta do sanfoneiro Bené do Acordeon, varzeano filho de uma família toda de forrozeiros, e de músicos do bairro, que variam ao longo das noites.

“Nós temos o Festival de Inverno da Várzea (FIV) em agosto e o aniversário do Maracatu em dezembro, ficamos sem eventos fixos durante muito tempo, entre janeiro e agosto. Então resolvemos criar esse espaço pra tocar e ninguém ficar ocioso”, explica.

O forró acontece em um improviso organizado e de forma colaborativa. Durante a apresentação do grupo, um chapéu é passado entre os presentes para apurar um valor que é dado para o sanfoneiro, que divide com os outros músicos.

“A gente procura fazer sempre pra dar condição ao sanfoneiro de se apresentar e ganhar o trocado dele. A profissão de músico é desvalorizada e a situação do forrozeiro, especificamente, é mais ainda. E é um profissional que segura uma onda da bexiga, toca um instrumento difícil e pesado como a sanfona”, lamenta.

O Forró do Buraco do Cabelo só não acontece quando o dia da festa cai em um feriado ou quando algum outro evento vai acontecer na Praça Pinto Dâmaso, que é ao lado.

E Betão avisa: em breve será comemorado o aniversário do forró. “A gente não sabe a data exata que começou o forró, mas vamos estabelecer um dia pra ser o aniversário dele. Vai ser uma festa maior, mais bonita, pra ficar marcada e acontecer todo ano na mesma data. Além disso, temos o Arraial que acontece no dia de São João mesmo, junto com a Bandeira de São João que já é tradicional na Várzea”.

Enquanto a festa de aniversário e o São João não chegam, aproveita: o Forró do Buraco do Cabelo acontece às sextas-feiras, das 20h à meia-noite, que é pra todo mundo se divertir sem abusar do horário da vizinhança, na Rua Azeredo Coutinho. Aparece pra curtir o Forró do Buraco do Cabelo, a rua e o climinha que só a Várzea tem.  


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