Por Natália Dantas, do PorAqui

Certo dia, Edilma Francisca de Assis estava trabalhando, como sempre, quando foi pega de surpresa…

“Tava aqui fazendo o meu trabalho e de repente desceu do carro aquele rapaz roqueiro, galego, que morava a duas ruas daqui, mas hoje tá no Rio… ou é em São Paulo? Ele tava com mais três pessoas, filmando, e começou a falar ‘Essa aqui é a melhor tapioca do bairro, conheço desde pequena! Antes dela, a mãe dela já vendia aqui’ e depois foi embora. Quando vi, as pessoas vieram me avisar que eu tava aparecendo na televisão”, lembra gargalhando.

E foi assim que o cantor Otto, varzeano ilustre, lançou, de supetão, a tapioqueira Caçula, 43, para todo o Brasil. Há 21 anos na esquina da General Polidoro com a Rua Agricolândia, a cozinheira tem uma vasta clientela no bairro e uma tapioca famosa.

“Sou a filha mais nova de uma fila de nove irmãos. Seis homens e três mulheres, por isso sou a Caçula”, explica Edilma.

Mas a história começou bem antes, em 1977, quando Caçula tinha apenas quatro anos de idade e Maria José de Assis, sua mãe, montou, na mesma esquina, um fogareiro de carvão com uma frigideira de ferro e começou o negócio.

Dona Dedé, como era conhecida por todos, assou tapiocas nesse ponto durante 18 anos e não eram raros os dias de trabalho nos quais tinha a companhia da filha pequena. Em 1995, a tapioqueira faleceu e foi o momento de Caçula assumir o seu lugar.

Hoje, mais de duas décadas depois, a mais nova das filhas de Dona Dedé trabalha no ponto de segunda a sábado, faça chuva ou faça sol, das 15h às 21h. Moradora da Brasilit, o dia de Caçula começa cedo. “Só venho pra cá às três da tarde, mas às cinco da manhã já estou na Ceasa garantindo o milho do dia”, explica.

Além das tapiocas de coco (R$ 4), queijo, frango, calabresa, charque, leite condensado (todas por R$ 6) e das mistas (R$ 7), a tapioqueira mantém uma produção ininterrupta de canjica (R$ 3), pamonha (R$ 6), e milho cozido (R$ 3) durante todo o ano.

“Eu vendo comidas com milho o ano todo e de maio a julho, perto do São João, eu também faço bolo de macaxeira, de milho, mungunzá e arroz doce”, avisa Caçula.

Cozinheira de mão cheia, a tapioqueira sempre está cercada de gente atrás das suas comidas. Conceição Barbosa, moradora do bairro há 15 anos, confirma: “Venho todo dia comprar minha tapioca aqui. Quando ela não vem, sinto falta da tapioca e dela”.

Perguntada sobre o sabor mais pedido, Caçula revela: “A tapioca de queijo coalho com frango é a que mais sai. Meu frango desfiado é sequinho e esse povo aqui tem mania de magreza”, brinca.

Mas independente do sabor ou da dieta, acredite: Otto estava certo. A tapioca de Caçula é, há 21 anos, uma delícia.

SERVIÇO
Tapioca da Caçula

Rua General Polidoro, esquina com Rua Agricolândia
Dia: Segunda a sábado
Hora: 15h às 21h


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