A Cidade Universitária, na Zona Oeste do Recife, é um bairro bem servido de bibliotecas: só no Campus Recife da Universidade Federal de Pernambuco são 10. Mas você sabia que na Várzea, mais precisamente no Instituto Ricardo Brennand, há uma biblioteca exclusivamente dedicada às artes e à história? E o melhor: gratuita e aberta a todos.

A biblioteca José Antônio Gonsalves de Mello, localizada no prédio da Pinacoteca do IRB, conta, atualmente, com um acervo de mais de 60 mil itens, entre livros, folhetos, periódicos, documentos de arquivo, postais e discos de vinil. É um oásis da leitura e pesquisa pouco conhecido, mas com um material rico e a disposição de qualquer pessoa que se interessar.

Com mais de mil títulos de obras raras, o acervo vai longe: o livro mais antigo tem “apenas” 453 anos. Editado em 1564, La Geografia, escrito pelo italiano Claudio Tolomeo Alessandrino, é uma obra de geografia geral dos continentes e revela um fato curioso: já indica, no mapa do Brasil da época, a ilha de Fernando Lorona, onde hoje há a paradisíaca Fernando de Noronha.

“Em janeiro de 2017 a nossa biblioteca recebeu este novo nome para homenagear o centenário do historiador José Antônio Gonsalves de Mello. O IRB tem um olhar especial sobre o Brasil Holândes e ele foi um dos maiores estudiosos do período. A biblioteca do Instituto incorporou as obras reunidas por ele ao longo da vida, garimpadas em todo o mundo”, revela orgulhosa Aruza Holanda, bibliotecária do IRB.

Coleções especiais

Além do vasto material sobre o Brasil Holandês, o local também tem acervos de referência na área de música, com partituras coloniais do século 18, das coleções do Padre Jaime Cavalcanti Diniz e de Euclides Fonseca, além dos itens mais contemporâneos, garimpados pelo colecionador Giuseppe Baccaro, falecido em 2016, que também está ligado à coleção especial de literatura de cordel do local.

“Temos coleções especiais, como as de Gilberto Freyre e Fernando Pessoa, pinçadas da biblioteca de 13 mil volumes que pertencia ao bibliotecário, professor e escritor Edson Nery da Fonseca. Veio de lá, também, uma coleção especial sobre o açúcar, de onde conseguimos extrair outras coleções, como a das obras completas de Ruy Barbosa e das atas do Instituto do Açúcar e do Álcool até o seu fechamento”, revela.

Muito do passado do próprio Recife pode ser descoberto na biblioteca José Antônio Gonsalves de Mello em objetos que vão além dos livros. “Temos uma coleção com 1193 postais que datam do período entre 1890 e 1920. Além de muito bonitos, são muito importantes iconograficamente por serem uma referência das pontes, ruas, monumentos e até de alguns personagens da vida urbana do Recife no início do século passado”.

A biblioteca é aberta a interessados, curiosos e pesquisadores para pesquisa no local, sem empréstimo, mas obedece a algumas regras de acesso e o PorAqui dá a dica: é necessário um agendamento antecipado, por telefone ou e-mail, para obter a dispensa da bilheteria

Serviço

Biblioteca José Antônio Gonsalves de Mello
Instituto Ricardo Brennand – Alameda Antônio Brennand, Engenho São João, s/n – Várzea
Horário: de terça a domingo, das 13h às 17h
Acesso gratuito via agendamento – biblioteca@institutoricardobrennand.org.br ou 2121-0367