Meio cigana, a Livrinho de Papel Finíssimo Editora nunca foi de ficar muito tempo no mesmo lugar. Independente no sentido mais literal da palavra, já esteve em vários endereços do Recife. Hoje, funciona na Várzea, no Engenho do Meio, em Campo Grande e em Peixinhos – endereços dos quatro sócios da editora – e completa 10 anos.

“A gente é muito cigano. Agora estamos aqui, amanhã podemos voltar a uma sede, depois estar em outra. Tem uma ciganagem intrínseca na Livrinho que a gente não vai se libertar e nem quer abrir mão”, afirma a taróloga, produtora e editora da Livrinho de Papel Finíssimo, Sabrina Carvalho.

Criada em 2007, a editora surgiu da mistura entre um grupo de amigos que trabalhavam com ilustração e design, uma máquina de xerox e os fanzines que daí foram publicados.

Após dez anos de estrada, hoje a editora conta com quatro sócios – Camilo Maia, Sabrina Carvalho, Leta Vasconcelos e Fred Vasconcelos –, cinco trabalhadores, uma estagiária e o artesão e artista Pacha Martinez como encadernador na equipe.

Sabrina, Camilo Leta e Fred encabeçam a editora (Foto: Rafael Malta)

“O primeiro embrião da Livrinho foi no Laboratório, que era um ateliê coletivo que ficava no Pátio de São Pedro. Mas, enquanto editora e coletivo que tem uma proposta de publicar pessoas, começou no Iraq (na Rua do Sossego), que era a residência de alguns artistas.  Já passamos pelo Edifício Pernambuco, bem no começo da ocupação artística desse espaço, passamos também cerca de quatro anos na Mau Mau, no Espinheiro, e, em 2016, decidimos voltar pro esquema home office por questões econômicas e para poder investir melhor nos livros”, recorda.

Com berço nas publicações voltadas para as artes plásticas – num período em que editais como o do SPA das Artes movimentavam o cenário recifense -, atualmente a Livrinho aposta na literatura como viés das suas publicações, mas nem sempre foi assim.

“Começamos com os fanzines, mas passamos por um processo evolutivo natural de busca das melhorias das próprias técnicas. Em 2010, 2011, começamos a fazer projetos finalizados em gráficas, mas só em 2014 é que pudemos fazer livros mais robustos no nosso próprio ateliê”, explica Sabrina.

Hoje a Livrinho conta com mais de 130 publicações em áreas variadas – artes, literatura, academia, quadrinhos e até publicações para empresas. Entre os autores, estão Cavani Rosas, Maurício Castro, Irma Brown, Fernando Duarte, Renato Valle, Miró da Muribeca, Paulo do Amparo, Rodrigo Acioli, Bruna Rafaella, entre outros.

Mercado Independente

As publicações editoriais não são o único campo de atuação da Livrinho de Papel Finíssimo no fortalecimento do mercado independente de publicações. Além dos livros, a editora oferece serviços de assessoria editorial, discutindo forma e conceito com autores, e trabalha na formação de novos editores independentes através de eventos e oficinas como o Literatura na Hora e o Ateliê Publique-se!, realizados na Bienal do Livro, e o festival Publique-se! – primeiro festival de publicações independentes do Nordeste.

Festival Publique-se! (Foto: Rafael Malta)

“O mercado editorial oficial anda em crise. Já tentamos nos aproximar dele durante um tempo e vimos que é bastante inviável para editoras pequenas e independentes, hoje em dia procuramos nos afastar. Botar um livro numa livraria, que é onde circula o mercado, significa deixar 50% do nosso preço de capa com a livraria, deixando autores e editores numa situação bastante complicada”, explica Sabrina.

O mercado independente e a autopublicação, porém, navegam em mares mais calmos do que os das grande editoras.

“Entre as editoras independentes vemos uma formação de rede de festivais e eventos no Brasil todo que fortalecem a publicação independente, um novo mercado que opera de uma outra forma tanto pro autor, quanto pra distribuidora, pra revendedora e pra editora. Atualmente, nos prêmios de literatura cerca de 70% dos premiados são publicados de forma independente, como é o caso do Prêmio Jabuti, por exemplo. Isso mostra que estamos passando por um processo de fortalecimento muito grande”, comemora.

Dez anos

Para comemorar o decênio da editora, uma série de vídeos contando um pouco da história da Livrinho vem sendo produzida. “Vamos conversar um pouco com alguns autores, que vão contar um pouco do seu processo de criação e do conceito dos seus livros”, revela a editora.

Entre os dias 2 e 4 de junho a Livrinho de Papel Finíssimo participa da Feira de Impressos Paraguassu, em Salvador, e, em julho, lança o livro de Sabrinna Alento Mourão na FLIP em Paraty, no Rio de Janeiro, fortalecendo a ideia de se conectar às pessoas para continuar criando.

(Foto: Rafael Malta)

“Agora a gente tá curtindo esse momento de trabalhar em casa e poder cuidar da família paralelamente. Temos circulado muito mais em feiras, em eventos colaborativos, temos mostrado mais nossa cara”, explica.

As publicações da editora podem ser adquiridas nas feiras colaborativas Oba! Oba! Baobá e Várzea Colaborativa, que acontece no segundo sábado de cada mês, na Praça Pinto Dâmaso, ou através do e-mail livrinhoeditora@gmail.com

“Estamos “entocados” em casa, mas estamos nos mostrando na rua”, avisa Sabrina.