Grupos ligados à causa LGBT na Universidade Federal de Pernambuco publicaram uma nota pública cobrando ao reitor da instituição, Anísio Brasileiro, a efetivação da política LGBT da UFPE. A nota solicita que o reitor honre com o compromisso assumido em campanha e implemente de forma plena e imediata a Política LGBT da UFPE apresentada publicamente em 11 de maio de 2015.

O documento aponta atrasos na obra do espaço físico destinado a ser a sede da Diretoria LGBT da UFPE, o que estaria impedindo a inauguração do espaço. 

Além disso, afirma que o quantitativo de servidores previsto na política LGBT – dois técnicos administrativos, dois psicólogos e dois assistentes sociais – não foi disponibilizado, o que inviabiliza a execução completa da referida política.

A nota é assinada pelo Diretório Acadêmico Demócrito de Souza Filho, pelos grupos Robeyoncé de Pesquisa-Ação, Contestação e Maria, vem com as outras, pelo Movimento Zoada e pelo Núcleo de Assessoria Jurídica Popular NAJUP.

O que diz a UFPE – Ao PorAqui, a universidade afirmou, através de sua assessoria de imprensa, que "tem enviado esforços para consolidar esta política implantada na atual gestão do reitor Anísio Brasileiro".

Sobre o quantitativo de vagas, argumentou que a Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida (Progepe) já atendeu parcialmente à solicitação disponibilizando para o setor três servidores: assistentes em administração (2) e psicóloga (1).

Disse, também, que a UFPE vem pleiteando junto ao MEC a abertura de novas vagas a fim de atender a esse e a outros pedidos de novos funcionários. A reitoria também frisou que está buscando uma solução viável para o problema do muro apontado na nota.

Leia a nota pública na íntegra:

NOTA PÚBLICA PELA EFETIVAÇÃO DA POLÍTICA LGBT DA UFPE

Diante da atual conjuntura brasileira, cada vez mais, conservadora, violenta e ofensiva em relação a população LGBT, precisamos fortalecer e proteger as diretrizes do programa “Brasil sem Homofobia”, as políticas públicas na área da saúde e educação que que visam a proteção, o cuidado e o respeito as diferenças de gênero e orientação sexual.
Nesse sentido, solicitamos que o excelentíssimo reitor honre com o compromisso assumido em campanha e implemente de forma plena e imediata a Política LGBT da UFPE apresentada publicamente, em 11 de maio de 2015, às 14h, no auditório 3, da Biblioteca Central, no campus Recife. O lançamento fez parte das ações da Semana do Amor Igual, organizada pelo Ministério Público de Pernambuco, o Movimento Mães pela igualdade, o Humanitas-Unicap e pelo Instituto José Ricardo.

Após um ano e dez meses, não foram poucas as dificuldades e obstáculos das mais diversas ordens impostos a comunidade LGBT da UFPE. Em primeiro lugar, a Diretoria LGBT UFPE continua sem o quantitativo de servidores previsto na política LGBT: dois técnicos administrativos, dois psicólogos, dois assistentes sociais, o que inviabiliza a execução completa da referida política. Em segundo lugar, a construção de uma sede para Diretoria LGBT esbarrou em vários entraves: falta de salas apropriadas na Reitoria, oferta de espaços degradados e sem visibilidade no Centro de Convenções, empecilhos para instalação na Biblioteca Central restando, por fim, um pequeno espaço nos fundos do CECINE. Frente às inúmeras críticas realizadas por diversos coletivos, docentes e técnicos/as, foi informado, à época, que haveria uma pequena obra com derrubada do muro e colocação de grade e portão para que o acesso se efetivasse pela praça o que tornaria o espaço digno e com visibilidade.

No entanto, atualmente, o principal motivo para o retardamento da finalização da obra e inauguração da nova sede é a presença do muro que dificulta o acesso e impede a integração com a praça que é, inclusive, subutilizada escondendo seu grande potencial de uso de espaço público.

Como se não bastassem as ruas de nossa cidade serem uma das mais manchadas de sangue LGBT no país – fato que nos leva a não só querer permanecer em casa, mas também dentro de nossos armários – mais uma vez somos, simbólica e faticamente, renegadas e renegados aos fundos dos espaços públicos, justamente por uma universidade que se diz inclusiva. Não toleraremos mais essa exclusão.

Afinal de contas, quem é que sai do armário pelos fundos? Querem muros, preferimos pontes.

Reclamamos, portanto, providências do Reitor Anísio Brasileiro para viabilização imediata do funcionamento e inauguração da Diretoria LGBT, através da finalização da obra, bem como, a disponibilização do quantitativo de servidores/as necessário para efetivação da Política LGBT da UFPE.

Assinam esta nota:
– Diretório Acadêmico Demócrito de Souza Filho
– Grupo Robeyoncé de Pesquisa-Ação
– Grupo Contestação
– Movimento Zoada
– Núcleo de Assessoria Jurídica Popular NAJUP
– Grupo Maria, vem com as outras


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