A superlotação no setor de neonatal do Hospital das Clínicas, na Cidade Universitária, Zona Oeste do Recife, está colocando em risco a saúde das mães e de recém-nascidos, já que aumenta a ocorrência de contaminação por infecção hospitalar. É o que denunciam os profissionais da unidade ligada à Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Segundo funcionários ouvidos pela Rádio Jornal, sete recém-nascidos estão no setor de isolamento do hospital porque já estariam infectados.

O médico chefe da unidade da Mulher do HC, Elias Melo, confirma a situação preocupante no hospital e diz que para controlar a infecção foi suspenso o atendimento às gestantes em trabalho de parto. “O HC trabalha com 500% da capacidade. A nossa sala de parto, por exemplo, tem capacidade para atender até quatro pacientes, mas ontem à noite estávamos com 21. Essa superlotação acaba resultando em mais infecção, já que o espaço é pequeno para o número de bebês. Hoje estamos vivendo surto de infecção no berçário”, afirmou o médico.

A reportagem constatou que, nesta quarta-feira (19), o setor de cuidados intermediários do HC abrigava 25 recém-nascidos, quando a capacidade é de 10. Já o centro obstétrico, que segundo os funcionários deveria estar fechado, abriga 11 bebês que aguardam vagas no setor de alojamento conjunto, onde já tem 18 internados, quando a capacidade é de 15. Além disso, a Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) da neonatologia está com nove recém-nascidos internados, mas a capacidade é de oito.

Superlotação

Segundo Elias Melo, as gestantes que chegam ao HC estão sendo redirecionadas para outras unidades de saúde. “Infelizmente, o problema não está apenas no HC, a superlotação também acontece em outros hospitais. A omissão das prefeituras é muito grande”, denuncia.

Na última quinta-feira (13), o problema de superlotação também foi denunciado no Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (Cisam), no bairro da Encruzilhada, no Recife. A maternidade ligada à Universidade de Pernambuco (UPE), conhecida como referência em assistência ao parto, decidiu não receber mais gestantes encaminhados de outras unidades.

Com informações da Rádio Jornal