Por Riba Carneiro, capoeirista, brincante da Várzea e membro do Movimento Salve o Casarão da Várzea

O Movimento Salve o Casarão da Várzea conseguiu reunir os elementos que se acumularam no entorno e dentro do imóvel abandonado pelo poder público e até por parte da sociedade: comerciantes, estudantes, músicos, artistas, ativistas, agro ecologistas, moradores e militantes de outros movimentos sociais.

Interessados na restauração e resgate do patrimônio histórico, se juntaram para apoiar um projeto que visa contemplar a todos os seguimentos e disponibilizar o equipamento para utilização por toda a sociedade varzeana.

Foi nesse cenário que me envolvi com o movimento. Pratico capoeira na Várzea e os músicos, artistas e amigos que convivem comigo estavam descontentes com o abandono do casarão histórico que abrigou o Hospital Odontológico Magitot.

Com a devida orientação jurídica e dedicação, o movimento organizou-se e partiu para o primeiro mutirão, que objetivou a limpeza do matagal que tomava conta do casarão, em 9 de abril de 2016. 

Na ocasião, fomos surpreendidos pela intervenção da Prefeitura da Cidade do Recife, que suprimiu, sem critérios técnicos nem autorização dos órgãos competentes, parte da vegetação, causando danos ambientais denunciados ao Ministério Público de Pernambuco.

(Foto: Riba Carneiro/Colaboração)

PROMESSAS DE CAMPANHA – Desde 2013 ouvíamos falar da construção de um mercado público na Várzea, no terreno do antigo Hospital Magitot, mas não na restauração do casarão, Imóvel Especial de Preservação desde maio de 2015, que não pode ser demolido por ser um modelo arquitetônico único na cidade do Recife – chalé inglês de duplo piso.

(Foto: Giselli Carvalho/Colaboração)

Em campanha política a prefeitura iniciou a execução de um projeto, que não foi discutido com a sociedade e não contemplava todos os segmentos. Além disso, a prefeitura começou destruindo o imóvel histórico, derrubando a torre da caixa d'água situada no terreno.

Nós do movimento denunciamos ao MPPE, em outubro de 2016, ocupamos o casarão e, no mesmo dia, nos reunimos com o Promotor Ricardo Coelho, que impediu a continuidade da obra por considerá-la danosa ao patrimônio histórico, cultural e ambiental que o imóvel representa.

Em seguida, realizamos uma audiência pública no casarão, a fim de dialogar com a prefeitura sobre os rumos do Casarão da Várzea. No entanto, a prefeitura não mandou representação para a audiência, demostrando seu total desinteresse em dialogar com a comunidade varzeana.

O movimento tem ocupado permanentemente o espaço no entorno do Casarão com uma horta comunitária, diversas atividades lúdicas e culturais, promovendo quinzenalmente ações de limpeza e cuidado, e, mais recentemente, instalando a Rádio Magitot 88.1 FM.

(Foto: Giselli Carvalho/Colaboração)

Enquanto isso, a Prefeitura da Cidade do Recife não dialoga com os comerciantes, a comunidade e o MPPE para saber como é o mercado que a Várzea precisa, qual espaço os artistas e a comunidade necessitam e quais medidas o órgão público pode e deve tomar para restaurar o casarão e parte da história do Recife.


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