O destino do prédio da Sudene, no limite entre a Cidade Universitária e o bairro do Engenho do Meio, começa a ser desenhado. No último dia 5 de dezembro, a UFPE e a Superintendência do Patrimônio da União assinaram a cessão provisória do prédio para a universidade, passando a integrar o Campus Recife e, futuramente, a receber atividades administrativas e de ensino, pesquisa e extensão que já começam a ser definidas.

Segundo o professor do Departamento de Engenharia Civil Mariano Aragão, coordenador da comissão que está sendo formada para planejar e executar a instalação das atividades da universidade no edifício, já estão administrativamente definidas três ocupações para o local: a ampliação do restaurante universitário, a instalação da sede do departamento de ensino à distância (EAD) e a cessão de um espaço para que seja implantado o almoxarifado do Hospital das Clínicas (este último com recursos do hospital).

A UFPE já dispõe de uma verba de R$ 3 milhões para realizar as primeiras adequações que permitirão o funcionamento inicial do prédio, mas, segundo valores levantados pela própria Sudene anteriormente, será necessário um investimento de cerca de R$ 40 milhões para que seja feita a reestruturação completa.

“O prédio precisa ser recuperado fisicamente, claro, mas algumas ações já foram feitas anteriormente, como a recuperação dos pilares. Do ponto de vista da engenharia e da arquitetura, ele é, sem dúvidas, um prédio fantástico”, diz o professor e engenheiro civil Aragão.

Inaugurado em 1974, o edifício que abrigou a Sudene até julho deste ano é um expoente da arquitetura moderna no Brasil. O prédio é caracterizado por princípios de adequação climática, que o tornam ventilado sem a necessidade de ventilação mecânica, e pelos jardins projetados pelo paisagista Roberto Burle Marx, com plantas do semiárido nordestino.

O local tem uma área construída de 72.704,81 m², e o edifício é distribuído em diversos blocos, sendo um prédio principal, com 13 andares, e quatro anexos.

Mobiliário da Sudene está sendo doado

Recebemos uma informação de que o mobiliário que pertencia à Sudene está amontoado no térreo do prédio, como um grande depósito, e sendo doado a órgãos e instituições públicas. Grande parte dos móveis está em mau estado, mas há, ainda, mobílias valiosas, como poltronas e móveis antigos em madeira de lei.

Fomos até lá e confirmamos. Porém, não conseguimos acessar o local, nem registrar. Era preciso, segundo um funcionário, ter autorização da uma pessoa da Sudene que é responsável pelas doações, mas que não estava lá nesta sexta (22) pela manhã.

O PorAqui tentou contato com Sudene, mas a ligação não foi atendida.