Após denúncias de fraude no sistema de cotas raciais, a Universidade Federal de Pernambuco instituiu uma comissão de sindicância para apurar pelo menos 17 denúncias relacionadas ao Sistema de Seleção Unificada (Sisu) de 2018.

A Pró-Reitoria para Assuntos Acadêmicos (Proacad) da universidade divulgou a decisão pela instalação da comissão foi nesta última terça-feira (3), após o período de verificação da procedência das denúncias. A comissão vai averiguar 11 casos onde foi confirmada a existência de vínculo de matrícula de estudantes.

“A UFPE tomará todas as medidas necessárias para que sejam cumpridas as ações afirmativas e de inclusão para ingresso na Universidade, sejam elas econômicas ou étnico-raciais”, afirmou o pró-reitor para Assuntos Acadêmicos, professor Paulo Goes.

A universidade afirmou, ainda, que está debatendo o assunto juntamente aos coletivos ligados à comunidade negra da UFPE, como o Afronte e o Cara Preta, e com o Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (Neab), além dos estudantes.

“As denúncias são feitas pelos próprios estudantes da universidade, que buscam principalmente os coletivos e o próprio Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros. Nós do Coletivo Afronte, juntamente ao Cara Preta e ao NEAB, unimos forças para juntar as denúncias e encaminhar para a universidade”, explica Gilson Baepard Rodrigues, aluno do doutorado em antropologia e professor substituto do Departamento de Antropologia e Museologia ligado ao Coletivo Afronte.

A comissão será composta por um representante da Proacad, um representante da Câmara de Graduação e um assistente social da Pró-Reitoria para Assuntos Estudantis (Proaes). O grupo iniciará os trabalhos logo após os trâmites legais de instalação da comissão.

Sisu 2019

Ante as denúncias, a UFPE está avaliando a pertinência da implantação de uma comissão de verificação de cotas para o Sisu 2019. A questão está sob a análise da Procuradoria Regional Federal junto à universidade.

“O sistema de cotas da universidade ainda é muito falho. Atualmente, basta se autodeclarar negro para participar dele. Porém, muitas vezes não há nenhum traço de negritude na pessoa que tenta fraudar o sistema. O ideal seria haver uma espécie de banca, como acontece nos concursos públicos, onde a banca avalia se a pessoa está apta ou não a adentrar a universidade através das cotas raciais”, acredita Gilson Baepard Rodrigues.

A Lei nº 12.711/2012 garante a reserva de 50% das vagas em instituições de ensino superior federais brasileiras para alunos oriundos integralmente do ensino médio na rede pública. A distribuição das cotas segue requisitos econômicos (renda familiar) e raciais (destina-se a negros, pardos e indígenas). Conforme a lei, o critério da raça é autodeclaratório.